Para o banco, greve é abusiva
A direção do Banestado entrou ontem com ação no Tribunal Superior do Trabalho contra a greve dos funcionários do banco. O vice-presidente do Banestado, José Evangelista de Souza, disse que a alegação é de que houve abusividade por parte do Sindicato dos Bancários. Entre as irregularidades, estaria o bloqueio do acesso ao trabalho em algumas agências e no Centro Administrativo do Conglomerado.
A versão de Souza é contestada pelos sindicalistas. Ninguém está sendo impedido de trabalhar. Os funcionários param porque estão descontentes com o banco, afirmou ontem uma das coordenadoras da greve Mariza Stédile. A paralisação foi feita para pressionar o banco a garantir estabilidade de emprego por pelo menos 18 meses após a privatização, como ocorreu com o Banespa.
A greve tem avançado para o interior do Estado, mas a situação é mais crítica em Curitiba. O vice-presidente do banco admitiu ontem que há setores que estão trabalhando em precária situação. Todo o sistema está funcionando, mas há locais com pequeno número de funcionários, afirmou. Ele disse que há casos onde há menos de 20% de bancários operando, indo contra a lei de greve. Os funcionários dizem que não pretendem parar a greve, que pode ser mantida até o leilão.
Na terça-feira, o presidente do Banestado, Reinhold Stephanes, deu por encerradas as negociações com os bancários porque as discussões teriam chegado a um impasse. O movimento suspendeu o atendimento em 16 municípios. Em Curitiba, 20 agências foram fechadas ou passaram a funcionar parcialmente. Na região de Londrina, a greve teve adesão de cerca de 600 do total de mil funcionários da área de abrangência do Sindicato, que abrange 27 municípios. Somente em Maringá, os bancários decidiram pela manutenção dos trabalhos, apesar de aprovarem apoio ao movimento. A alegação é a de que a suspensão dos serviços atingiria os clientes e em especial os aposentados, que estão recebendo os benefícios. A greve atingiu também o centro de informática do Banestado, considerado ponto nevrálgico do banco. Em razão do movimento, a Secretaria de Fazenda anunciou a prorrogação do prazo para pagamento de impostos que vencerem no período do protesto.
(C.M.)





