Para NY Times, acordo pode afundar o Brasil na recessão
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segunda-feira, 28 de setembro de 1998
Agência Folha 
Na véspera do início da 53ª Reunião Anual do FMI, as primeiras páginas dos principais diários dos EUA não deixam dúvidas sobre qual país será a estrela do encontro. A possibilidade de um acordo entre o Brasil e o Fundo estava ontem na capa do New York Times, o mais prestigioso jornal do país, e do Wall Street Journal, o de maior circulação e porta-voz oficioso de seu setor financeiro. O Times diz que o pacote para o Brasil está em negociação mas sua estrutura ainda é indefinida. Por enquanto, diz o Times, fala-se em pelo menos US$ 30 bilhões: US$ 10 bilhões do Fundo, US$ 5 bilhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento, US$ 5 bilhões do Banco Mundial e US$ 10 bilhões de bancos privados.
O pacote pode ser maior, na dependência de o governo dos EUA entrar com algum dinheiro dele, o que, no entanto, é improvável, devido à fragilidade do apoio ao presidente Bill Clinton no Congresso. O Times, no entanto, afirma logo no primeiro parágrafo do texto (assinado por Louis Uchitelle, de Nova York) que o pacote, em vez de salvar o Brasil, pode afundar o país em profunda recessão.
Depois, Uchitelle cita economistas para quem, além da ajuda internacional, o Brasil precisará desvalorizar o real entre 15% e 25%. O Times ressalta que o anúncio do pacote será feito depois da eleição presidencial do próximo domingo e só no caso de reeleição de Fernando Henrique.
No Journal, o eventual acordo entre o Brasil e o Fundo é mencionado em artigo assinado por Michael Phillips, que discute a quantidade de recursos de que a entidade dispõe para efetivá-lo. Ele afirma que o Brasil está perigosamente próximo de ser pego pela confusão (da crise financeira internacional) devido à continuidade da fuga de dólares. O artigo cita importante parlamentar da oposição ao governo Clinton, o deputado Jim Saxton, que afirma: Nós (EUA) podemos piorar a situação se continuarmos a resgatar países como o Brasil.
Talvez Saxton tenha visto na página B9J da mesma edição do Journal que traz sua declaração na capa, anúncio publicado pelo Conselho Empresarial Brasil-EUA, com um apelo ao Congresso norte-americano para que aprove a integralização da quota do seu país para o aumento de capital do FMI. Se isso acontecer, o Fundo poderá ter mais fôlego para ajudar o Brasil e outros países da América Latina.


