Na véspera do início da 53ª Reunião Anual do FMI, as primeiras páginas dos principais diários dos EUA não deixam dúvidas sobre qual país será a estrela do encontro. A possibilidade de um acordo entre o Brasil e o Fundo estava ontem na capa do ‘‘New York Times’’, o mais prestigioso jornal do país, e do ‘‘Wall Street Journal’’, o de maior circulação e porta-voz oficioso de seu setor financeiro. O ‘‘Times’’ diz que o pacote para o Brasil está em negociação mas sua estrutura ainda é indefinida. Por enquanto, diz o ‘‘Times’’, fala-se em pelo menos US$ 30 bilhões: US$ 10 bilhões do Fundo, US$ 5 bilhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento, US$ 5 bilhões do Banco Mundial e US$ 10 bilhões de bancos privados.
O pacote pode ser maior, na dependência de o governo dos EUA entrar com algum dinheiro dele, o que, no entanto, é improvável, devido à fragilidade do apoio ao presidente Bill Clinton no Congresso. O ‘‘Times’’, no entanto, afirma logo no primeiro parágrafo do texto (assinado por Louis Uchitelle, de Nova York) que o pacote, ‘‘em vez de salvar o Brasil, pode afundar o país em profunda recessão’’.
Depois, Uchitelle cita economistas para quem, além da ajuda internacional, o Brasil precisará desvalorizar o real entre 15% e 25%. O ‘‘Times’’ ressalta que o anúncio do pacote será feito depois da eleição presidencial do próximo domingo e só no caso de reeleição de Fernando Henrique.
No ‘‘Journal’’, o eventual acordo entre o Brasil e o Fundo é mencionado em artigo assinado por Michael Phillips, que discute a quantidade de recursos de que a entidade dispõe para efetivá-lo. Ele afirma que o Brasil ‘‘está perigosamente próximo de ser pego pela confusão’ (da crise financeira internacional) devido à continuidade da fuga de dólares. O artigo cita importante parlamentar da oposição ao governo Clinton, o deputado Jim Saxton, que afirma: ‘‘Nós (EUA) podemos piorar a situação se continuarmos a resgatar países como o Brasil’.
Talvez Saxton tenha visto na página B9J da mesma edição do ‘Journal’ que traz sua declaração na capa, anúncio publicado pelo Conselho Empresarial Brasil-EUA, com um apelo ao Congresso norte-americano para que aprove a integralização da quota do seu país para o aumento de capital do FMI. Se isso acontecer, o Fundo poderá ter mais fôlego para ajudar o Brasil e outros países da América Latina.

mockup