Rio de Janeiro - O ministro do Planejamento, Guido Mantega, disse ontem que a estabilidade conquistada no País neste ano permitirá uma média de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) anual de 4% nos próximos três anos. ''Em 2003 colocamos as fundações e agora vamos construir o prédio, em cima de pilares sólidos, que não tínhamos'', afirmou. Esta foi apenas uma das várias metáforas que o ministro usou para destacar o esforço do governo no controle da inflação.
''A inflação é como uma pequena gravidez, que depois se torna uma grande gravidez, é preciso evitá-la'', disse em palestra na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). Repetiu a alusão na coletiva concedida em seguida, acrescentando que, em muitos casos ''é preciso abortar'' esta gravidez inflacionária. Outra comparação usada foi com relação às drogas: ''inflação é como um sujeito viciado que, se você bobear, tem uma recaída''.
Mantega salientou que os investimentos em infra-estrutura previstos no planejamento do governo, especialmente nas áreas de energia e transporte, vão sustentar a expansão econômica. Como parte das iniciativas para garantir os investimentos, ele informou que a Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide) poderá ser em parte direcionada para um fundo de financiamento do setor de transportes.
Segundo ele, o governo, no que diz respeito à infra-estrutura de transporte, está dando preferência inicial ao sistema de concessões e está estudando a possibilidade da Cide como opção de financiamento para o setor privado.
Mantega disse que até o final deste ano deverão estar resolvidas as pendências legais para licitação de seis lotes para concessão de rodovias federais, que está suspensa judicialmente. A partir do próximo ano, haverá ''pelo menos'' 18 novos lotes a serem licitados. ''Vai ter pedágio nas rodovias federais, mas pelo menos elas serão transitáveis'', disse. Segundo ele, cerca de 6 mil km de rodovias federais no País são passíveis de pedágio.
Reforma - Mantega comentou também a reforma tributária em curso e disse que ela terá de ''ser neutra'', sem aumento de tributos, e que ''é preciso eliminar o efeito pirotécnico dessa discussão (da reforma), que parece mais quente do que parece''. O ministro afirmou que o governo fará uma ''reforma tributária razoável'', que não será ''perfeita'', mas possibilitará avanços ''em relação ao que tínhamos''.
Outro assunto em discussão no Congresso, o orçamento, também pode vir a ser um desafio político para o governo. Segundo Mantega, o governo vai definir no Congresso de onde sairão os recursos adicionais estimados em R$ 6 bilhões para o orçamento de 2004, que se referem basicamente ao fundo de compensação das exportações e que ''é normal que sejam feitas adequações''.
Mantega disse várias vezes que o orçamento de 2004, com previsão de receita de R$ 402 bilhões, é ''realista''.

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