Porto Alegre e Brasília - A ministra chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, disse ontem que o acordo da Petrobras com o governo boliviano demonstrou que a posição de diplomacia do governo brasileiro deu resultados práticos. Ela criticou quem defendia uma atitude beligerante do Brasil. ''A Petrobras considera que há perfeitas condições de permanência na Bolívia'', afirmou a ministra, ao votar em Porto Alegre.
O ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, explicou ontem que ainda estão sendo negociados com a Bolívia o preço do gás vendido ao Brasil e a situação das duas refinarias de derivados de petróleo da Petrobras naquele país. Segundo ele, já está decidido que a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) terá o controle acionário das unidades - 50% mais uma das ações.
Rondeau garantiu que tanto a Bolívia quanto o Brasil cederam para fechar o novo contrato de exploração e produção de gás da Petrobras. O ministro só não soube dizer qual das partes cedeu mais.
O que a Petrobras está decidindo agora, segundo o ministro, é se sairá do negócio do refino, se permanecerá como sócia minoritária, mas operando as instalações, ou se será minoritária, sem operar as refinarias. Independentemente disso, segundo Rondeau, é fundamental que a Petrobras receba uma indenização pela transferência do controle das refinarias à YPFB.
Sobre o preço do gás, Rondeau lembrou que as negociações foram prorrogadas até 10 de novembro e pode haver nova prorrogação. Ele ressaltou, entretanto, que atualmente o preço do gás boliviano em São Paulo (maior mercado) já equivale ao preço de referência internacional do combustível, o que reduz a margem para um aumento desejado pelos bolivianos.
Segundo Rondeau, o acordo assinado ontem garante também o fornecimento de gás ao Brasil, pelo menos até o fim do atual contrato de importação, que terminará em 2019.

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