Para médico, oferta deveria ser ampliada
Para o médico ginecologista Sérgio Humberto Parreira o programa do governo é muito interessante, mas poderia ter um número maior de medicamentos - e mais modernos - para atender o público adolescente. Os contraceptivos disponibilizados, segundo ele, têm taxas de hormônios relativamente altas e pouco apropriadas para esse público ou mesmo para pacientes com alguma patologia - como diabetes - que precisam de contraceptivos com taxas de hormônios diferenciadas.
''O programa é bom pelo fato de que é um avanço para popularizar o uso do contraceptivo. Porém, em termos farmacológicos não houve novidades'', reforçou o médico. Ele frisou que dos quatro anticoncepcionais disponíveis, dois já eram distribuídos em postos de saúde: o Microvilar (composto por etinil estradiol + levonorgestrel) e o Micronor (composto por noretisterona).
Os outros dois medicamentos, acrescentou Parreira, são anticoncepcionais injetáveis e não estavam disponíveis em postos de saúde: o Merigina (composto por enantato de noretisterona + valerato de estradiol) e Depo Provera (composto por acetato de metroxi progesterona). ''São ótimos medicamentos. Porém a oferta deveria ser ampliada'', frisou.
Na opinião do ginecologista, o acesso facilitado a medicamentos abre caminho para que pacientes que ainda não usavam anticontraceptivos adotem esse cuidado. No entanto, a medida do governo deixa de atender uma faixa etária importante: as adolescentes. ''Essa é uma faixa etária que começa a utilizar o anticoncepcional tanto como contraceptivo quanto para regular os hormônios e precisariam ser contempladas com medicamentos específicos, mais suaves'', disse Parreira.
Os anticoncepcionais sugeridos pelo médico, para atender essa faixa etária, são os que contêm hormônios mais baixos como o desogestrel ou gestodeno. Independente da idade, Parreira destacou que é muito importante que a paciente procure um médico antes de iniciar um tratamento com anticoncepcional. (E.Z.)





