Para Mantega, crescimento não será além do esperado
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sexta-feira, 12 de setembro de 2003
Fabiana Futema<br> Agência Folha 
São Paulo - O ministro do Planejamento, Guido Mantega, admitiu ontem que o crescimento da economia brasileira neste ano ''não será uma Brastemp', em um discurso que contrasta bastante com a promessa de ''espetáculo do crescimento' feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva há alguns meses. Mantega disse, no entanto, que depois do forte ajuste fiscal realizado no primeiro semestre, a população pode ficar tranquila, pois as condições para o crescimento já estão dadas.
As declarações do ministro foram dadas durante um evento com empresários na Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP). De acordo com Mantega, o ajuste do primeiro semestre foi feito com a elevação da taxa básica de juros para até 26,5%, o que reduziu o consumo e os investimentos e levou o Produto Interno Bruto (PIB) a encolher por dois trimestres consecutivos neste ano.
Segundo o ministro, no entanto, a economia brasileira chegou ao fundo do poço em maio, mas, em junho, já deu ''tímidos sinais de crescimento' como o aumento das horas trabalhadas, crescimento das vendas e elevação de 0,4% da produção industrial e das encomendas de papel ondulado.
''O Natal de 2003 será melhor ou menos pior que o de 2002. O peru de Natal de 2003 será mais gordo que o do ano passado'', disse ele respondendo a uma provocação do economista Roberto Macedo. O economista disse que é um ''tucano que abre o bico' e afirmou que o governo precisa tomar medidas para desovar os estoques ainda neste ano.
''Se tivermos um Natal ruim, haverá sobras de estoque e o crescimento do PIB do ano seguinte ficará comprometido'', disse o ministro. Mantega afirmou ontem que o PIB do terceiro trimestre deverá registrar um crescimento de 1,2% em relação ao do segundo trimestre. Para o quarto trimestre, o ministro prevê um crescimento de 3% no PIB na comparação com o período anterior.
''Conseguimos enfrentar uma crise e promover um ajuste fiscal e não teremos um PIB negativo em 2003. Pode não ser uma Brastemp, mas será positivo'', disse. Para os próximos quatro anos, segundo o ministro, o Brasil deverá ter um crescimento acumulado de 18% do PIB. Interno Bruto), de acordo com o PPA (Plano Plurianual).


