A intensa boataria que tomou conta dos mercados ontem, levando a cotação do dólar a bater em R$ 2,15, obrigou o ministro da Fazenda, Pedro Malan, a sair de seu gabinete no quinto andar do prédio e descer ao auditório do térreo para dar uma entrevista. Malan negou o confisco de poupança, o calote na dívida interna, o congelamento de preços e o pedido de aval do Tesouro dos Estados Unidos para emitir papéis brasileiros. Ele afirmou que o governo ‘‘fará o que tiver de ser feito’’ para impedir a volta da inflação, mas descartou medidas heterodoxas. ‘‘Não teremos em definitivo pacote de fim-de-semana, feriados bancários, medidas pirotécnicas ou soluções mágicas’’, disse, ao informar que a decisão do governo é de lutar para que a inflação não ultrapasse 10% este ano.
ministro afirmou que a hora é de manter o sangue-frio. ‘‘Momentos como este que estamos atravessando, de turbulência, incertezas e perplexidades de toda ordem, são momentos que mexem com os corações, com as mentes e com os nervos, não só dos investidores, internos e externos, mas também - principalmente - do cidadão brasileiro, do trabalhador, da dona de casa, da população em geral’’, admitiu. ‘‘Nestes momentos, mais do que nunca, é preciso manter a serenidade, o sangue-frio, a firmeza de propósito, e não de deixar se levar pelos sobressaltos e excitações.’’
Malan garantiu que o governo não adotará medidas como confisco de poupança. ‘‘Ruptura de compromissos financeiros, bloqueios de poupança e outras medidas sorrateiramente engendradas não interessam ao País, só trazem insegurança, elevam o custo de captação do governo e desorganizam a confiança no sistema econômico’’, afirmou. ‘‘Não existem circunstâncias que justifiquem tal tipo de violência contra os direitos fundamentais do cidadão brasileiro, e ainda mais quando aventuras do tipo trazem consequências que levaram anos para ser dissipadas, como aprendemos na experiência da história recente deste País.’’
Malan assegurou que o objetivo do governo é manter a inflação deste ano menor do que 10%, e disse que a estabilidade de preços ‘‘constitui o principal patrimônio da sociedade brasileira angariado nos últimos quatro anos.’’ Para isso, explicou, o governo tomará as medidas que forem necessárias nas áreas fiscal e monetária, mas não fará congelamento ou tabelamento de preços.

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