Para Lula, juro cairá no tempo certo
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segunda-feira, 02 de junho de 2003
Sérgio Gobetti e João Caminoto<br> Agência Estado 
Genebra O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, ao deixar a cidade suíça de Genebra, que a taxa de juros será reduzida no momento certo e reafirmou sua confiança nas decisões do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, que começam a ser questionadas fora e dentro do governo. ''Todos nós entendemos que é preciso baixar os juros, mas você não faz isso com bravata, faz isso com passos bem dados'', afirmou Lula. ''Estamos tranquilos, tenho um ministro da Fazenda em quem confio plenamente, é meu companheiro de muitos e muitos anos. Muitas vezes tem mais bom senso até do que eu, é mais equilibrado do que eu.''
As declarações deixam transparecer a preocupação do presidente com os reflexos que o atual debate sobre a política econômica pode ter sobre a credibilidade de sua equipe econômica. Mas o próprio Lula, segundo alguns líderes governistas, estaria cada vez mais descontente com a manutenção da taxa Selic em 26,5% ao ano.
''Converso sobre juros todos os dias'', disse o presidente, ao ser questionado sobre suas preocupações com a retração da atividade econômica. ''No momento certo, as coisas vão acontecer'', prometeu. De acordo com Lula, não existe problema no País que não seja ''do meu conhecimento há cinco ou oito anos atrás'' e todos serão resolvidos ''com tranquilidade e sem nenhuma precipitação''.
O ministro da Fazenda também deu seu recado, de Genebra, antes de embarcar de volta ao Brasil com o presidente. ''O Banco Central (BC) não pode funcionar com critérios de avaliação político-partidária. A única pressão que vale para a política monetária é a pressão da inflação'', disse Palocci.
Segundo ele, o ímpeto da inércia inflacionária - que faz com que o processo de reajuste de preços se reproduza - ''só se mede com o tempo''. ''Se você me pergunta qual a perspectiva de futuro, eu não tenho. É preciso esperar os números. Fazer previsão é um chute.''
O ministro disse que o crescimento da economia - motivo final da polêmica sobre os juros - é buscado em todas as partes do mundo. ''Mas é preciso encarar isso como um desafio, e não como um problema de Fla-Flu.''


