Brasília - Contrariando os economistas de plantão, que têm evitado fazer previsões sobre a extensão da atual crise financeira mundial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva arriscou, durante discurso em almoço de confraternização com militares, que ''a partir de 2010, essa crise já será coisa do passado aqui e em outros países''. E justificou: ''até porque nenhum presidente vai aguentar mais de um ano com uma crise nas costas, gerando desemprego e abandono de residência, como está nos Estados Unidos''.
Sempre otimista, o presidente Lula afirmou ainda que o Brasil sairá da crise ''mais fortalecido'' e avisou que ela está sendo ''uma oportunidade'' para fazer o que o Brasil deixou de fazer durante muito tempo. ''Nós aprendemos, depois de vinte e poucos anos sem a economia crescer, aprendemos o gosto do crescimento, aprendemos o gosto da geração de empregos e foram quase 11 milhões de empregos nesses seis anos de governo'', disse Lula, depois de comemorar que esta é a sexta e ''melhor'' festa de Natal que participou com os militares porque ''a economia está crescendo''.
O presidente voltou a criticar os que torcem para que o País enfrente problemas com a crise e assegurou que ''saberá cuidar'' para ela não causar os prejuízos. ''Nós vamos combinar seriedade fiscal com responsabilidade para gerenciar o desenvolvimento no País'', disse, acrescentando que ''o governo tem feito todo o esforço para que esta crise não chegue aqui do tamanho que já está nos Estados Unidos, na Europa e no Japão''. Novas medidas estão a caminho, segundo informou.
Mais uma vez, o presidente mostrou-se preocupado com ''a crise de pânico'' de algumas pessoas em comprar. ''Tem uma crise verdadeira, uma crise que atingiu profundamente os países ricos e que, portanto, vai mexer com os países que exportam muito para eles, mas tem também uma crise, um pouco de pânico, ou seja, aquela crise da pessoa que mesmo tendo recursos não quer comprar porque ouviu dizer que tem uma crise'', comentou Lula que explicou que ''ninguém está dando conselho para quem tem dívida fazer mais dívida''. E prosseguiu: ''quem tem dívida, paga a que tem e vamos tentar zerar para fazer outra. O que nós estamos querendo dizer é que o Brasil tem um potencial de crescimento que outros países não têm''.
Lula reiterou que não vai deixar parar nenhuma obra da Petrobras e que serão investidos os US$ 112 bilhões que já estavam previstos. Lula afirmou também que nenhuma obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) será paralisada.

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