O ex-presidente do Banco Central e consultor econômico, Gustavo Loyola, criticou ontem a intenção da equipe econômica do governo federal de aumentar impostos e criar novos tributos como alternativa para enfrentar a crise econômica. ‘‘O aumento de impostos é péssimo. Talvez, o governo devesse se esforçar mais para evitar a mudança das alíquotas’’, avaliou Loyola, que esteve em Curitiba para participar da inauguração da nova sede da empresa de consultoria Consult. Ele disse que espera para a próxima semana o anúncio de um pacote ‘‘imperfeito’’, pois foi feito às pressas por causa do momento econômico.
A maior crítica do ex-presidente do Banco Central foi dirigida à alteração na alíquota da CPMF, que passaria de 0,2% para 0,3%. Loyola afirmou que a CPMF é um imposto que tem efeito cascata, isto é, provoca uma alteração geral no preços dos produtos desde a indústria até o consumidor final. Para o ministro, seria possível manter a atual taxa da CPMF, por ‘‘algum tempo’’, mas sem tornar a contribuição permanente, como cogita o governo federal.
Mesmo afastado da equipe econômica há quase dois anos, Loyola preferiu não fazer críticas pesadas à condução do processo de ajuste econômico e ao pacote que será lançado na próxima semana, após o segundo turno das eleições. Mas em alguns momentos, ele deixou transparecer que há problemas que poderiam ser resolvidos com uma postura mais firme do governo, principalmente na questão da interferência política. ‘‘Não estou criticando o Executivo, mas é mais fácil aumentar a CPMF do que mexer em direitos e privilégios’’, disse Loyola.
Entre as propostas do governo federal está ainda a criação do Imposto sobre Fortunas e elevação da alíquota do Imposto de Renda. Quanto ao primeiro item, Loyola disse ser pouco produtivo taxar as grandes fortunas, pois a arrecadação acaba sendo muito pequena. Além disso, o Brasil correria o risco de presenciar uma fuga maior de capitais para o exterior, que escapariam da tributação. Sobre o Imposto de Renda, o ex-presidente do Banco Central disse que o governo federal tem de encontrar uma maneira de não prejudicar ainda mais o assalariado.
Se por um lado Loyola criticou o aumento da carga tributária, por outro ele elogiou a proposta de redução de gastos. O ex-presidente do Banco Central sugeriu que o governo apresse a reforma administrativa, que permitirá a Estados e municípios gastar 60% das receitas com o funcionalismo público (Lei Camata). ‘‘O governo gasta muito com a Previdência e com a máquina pública e gasta pouco com Saúde, Educação e Segurança’’, comparou.
Loyola aposta que o País começará a retomar o crescimento a partir do final de 1999, se conseguir implementar as reformas e fazer o ajuste fiscal. Mas para o próximo ano, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ainda terá uma variação negativa de 1,5%.Marcelo AlmeidaDo outro ladoGustavo Loyola, ex-presidente do BC e agora consultor: preocupado com efeito cascata da alta da CPMFCarmem Murara

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