Um mal necessário. A definição foi unânime entre os comerciantes ouvidos pela FOLHA nessa semana sobre a utilização do cartão de crédito. A maioria tem no dinheiro de plástico a principal ferramenta de negociação com o cliente. ''Todo mundo hoje quer prazo e parcelamento. No cheque, o risco de calote é grande e no crediário da loja também, sem falar no tempo que você gasta para fazer a ficha de um cliente. Apesar das taxas, o cartão ainda é a melhor forma de receber em dia'', resume Otávio Almeida Zanin, comerciante do setor de calçados em Arapongas. Ele trabalha com duas bandeiras de cartão, crediário e cheques, mas se pudesse ficaria só com o dinheiro de plástico.
Para a comerciante Viviane Recco, fabricante e lojista de confecção em Arapongas e Londrina, o cartão é sinônimo de garantia de recebimento. ''Se você pega um cheque sem fundo acaba tendo prejuízo. No cartão, temos que arcar com as altas taxas, mas não corre o risco de não receber'', compara a empresária. Ela tem uma pequena clientela que ainda paga com cheque - sob consulta prévia -, mas considera que essa forma de pagamento tinha de ser abolida.
Segundo Juan Escobar, empresário de Londrina, o cartão de crédito ''é um problema e ao mesmo tempo uma solução'' no mundo do comércio. Ele considera ''absurdas'' as taxas cobradas pelas administradoras, levando em conta a baixa qualidade do serviço prestado. ''Eu solicitei a instalação de uma máquina, esperei 15 dias e eles não vieram. Perdi negócios por isso. Outro problema é quando o sistema falha justamente em horários de pico, quando você pode vender mais. Quem nos paga por isso?'', questiona. Apesar dos problemas, Escobar não pensa em abandonar o cartão.
Consumidor
Recentemente, em meio às discussões sobre a regulamentação dos cartões de crédito no país, o Banco Central (BC) divulgou relatório defendendo a diferenciação de preço em pagamento à vista com dinheiro ou cartão de crédito. Para o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), porém, cobrar a mais de quem paga com cartão fere o artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor. ''Implica desvantagem onerosa e excessiva ao cliente, afinal, a administradora já cobra uma taxa para o consumidor utilizar o cartão'', informou o Idec, por meio da assessoria de imprensa.
A nota da assessoria do instituto ainda diz que ''possibilitar pagamento com cartão é uma opção do comerciante e não deixa de ser uma estratégia para atrair mais clientes. Portanto, os custos com aluguel da máquina e taxas de administração são inerentes à atividade''. O Idec considera que ''o consumidor já paga anuidade e juros quando entra no crédito rotativo, não tendo motivo para pagar mais para usar o cartão''. (G.M.)

mockup