Para lideranças, redução só terá reflexos no final do ano
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quarta-feira, 23 de julho de 2003
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Apesar de não ter atendido às expectativas das lideranças dos setores produtivo e comercial do Paraná, a redução da taxa Selic em 1,5% deve se refletir em retomada no crescimento econômico a partir do último trimestre de 2003, além de gerar economia de R$ 5,1 bilhões por ano, devido à redução da dívida pública. Essa é a opinião do presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Marcos Domakoski. Segundo o presidente, a redução para 24,5% foi importante para a retomada do desenvolvimento, mas ainda mostrou conservadorismo por parte do Copom. ''Desejávamos uma redução mais significativa, na ordem de até 4%. Mas a decisão já mostra que a Selic deve estar abaixo dos 20% até o final do ano''.
Já presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), David Dequêch Neto, afirmou que a redução da Selic ''não surpreendeu nem decepcionou''. ''Uma redução como essa não é significativa para colaborar com o 'espetáculo do crescimento' pretendido pelo presidente da República, mas já foi melhor do que no mês passado'', disse o empresário, lembrando que em junho o Copom reduziu a taxa de juros básicos dos bancos em apenas 0,5%. O presidente da Acil também disse que, apesar de a decisão mostrar mais coragem do governo, os juros ainda permanecem muito altos quando comparados ao de países concorrentes comercialmente, como os Estados Unidos, com taxas anuais de 1%. ''Os custos de produção no Brasil ainda inviabilizam o concorrência internacional''.
O presidente da Federação da indústrias do Estado do Paraná (Fiep), José Carlos Gomes Carvalho, mostrou otimismo quanto à política econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas cobrou atitudes mais contundentes para a retomada do crescimento. ''A manutenção dos juros a altas taxas era um remédio amargo, mas necessário. O que é preciso, agora, é que sejam reduzidas as taxas compulsórias sobre os bancos e o spread bancário, que é a diferença de juros que incide sobre o dinheiro captado e emprestado pelos bancos''. A taxa compulsória (cerca de 60%), segundo Carvalho, incide sobre todo o dinheiro que entra nos caixas bancários, e a arrecadação, centralizada pelo Banco Central (BC), é destinada ao financiamento da agricultura, educação e saúde.
Outras medidas que, segundo Carvalho, devem incentivar o desenvolvimento econômico seriam o investimento em infra-estrutura e financiamento para o setor industrial, através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).


