Para Klabin, é hora de repensar exportações
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terça-feira, 16 de setembro de 2008
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Marca respeitada no setor industrial brasileiro, o Grupo Klabin avalia que a crise no mercado financeiro norte-americano deve provocar reflexos na economia do Brasil mas em um nível suportável. Leitura que se assemelha àquela feita anteontem pelo presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, que, no dia da maior queda do Ibovespa em sete anos, afirmou que o país ''está preparado para enfrentar uma situação adversa dos mercados internacionais''.
Em coletiva de imprensa que marcou a conclusão do projeto de expansão da unidade da indústria em Telêmaco Borba (Campos Gerais), o diretor geral da Klabin, Reinhold Poernbacher, admitiu que o câmbio flutuante afeta a indústria brasileira como um todo e que a crise financeira internacional já provocou uma revisão para menor na taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para o ano que vem.
O novo cenário fez a empresa repensar seus planos de exportar boa parte do papel produzido pela maior máquina de papel do mundo, montada em Telêmaco. O executivo, que comanda a décima produtora mundial de papel (e a sexta em papéis para embalagens), adiantou que a Klabin deverá centrar esforços no crescimento das vendas internas e buscar outros compradores fora dos Estados Unidos. Poernbacher argumentou que esta projeção é possível porque o setor não consegue suprir a demanda por papel, mesmo com o aumento da produção de 700 mil toneladas/ano para 1,1 milhão toneladas/ano.
Por isso, Poernbacher preferiu se manter otimista em relação aos reflexos disso no longo prazo. ''Acreditamos que o câmbio vai encontrar seu ponto de equilíbrio'', observou, completando que a saúde econômica do Brasil é boa e que, no máximo, o país poderá pegar um ''resfriado''. ''No passado, isso poderia nos causar uma pneumonia mas agora não. O Brasil está com a economia pujante, lastreada na expansão do mercado consumidor e na estabilidade da moeda'', avaliou. O industrial finalizou lembrando que crise também pode ser sinônimo de oportunidades.
O projeto de expansão da unidade paranaense de produção de papel e celulose do grupo consumiu investimentos da ordem de R$ 2,2 bilhões e trouxe inovações nas áreas ambiental - como o maior controle dos efluentes, economia de água e melhor rentabilidade da madeira plantada pela empresa. Além disso, o empreendimento rendeu cerca de R$ 300 milhões em impostos ao Estado, gerou 4,5 mil empregos diretos (em sua fase de construção) e é exemplo de sustentabilidade no setor.


