Para José Eduardo UE quer prejudicar mercado brasileiro
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quinta-feira, 01 de fevereiro de 2001
Oswaldo Petrin De Londrina 
Os primeiros cuidados com a procedência e sanidade da ração animal começaram em 1996. Através de portaria, o ministro da Agricultura, à época José Eduardo de Andrade Vieira, proibiu o uso da farinha de osso na alimentação do gado.
Entrevistado ontem sobre o assunto, José Eduardo disse não acreditar que haja risco da doença no rebanho brasileiro. As razões são básicas, segundo ele, enumerando fatores de risco do gado europeu e comparando-os com as condições de manejo do gado brasileiro.
Todo gado europeu é tratado no cocho, se não o ano inteiro, pelo menos durante seis meses ao ano. Até pouco tempo atrás (antes da proibição) era tratado com ração à base de farinha de osso.
A engorda do gado brasileiro é feita a pasto até os 2,5 anos. No período de confinamento, que é muito curto - entre 45 e 60 dias - o gado brasileiro se alimenta de ração (volumosos e concentrados) de origem vegetal.
A farinha de osso teria custo inviável, da mesma forma que é inviável a permanência do confinamento por mais de 70 dias. A conversão a partir desse período é antieconômica, explica José Eduardo.
Silagem de milho, sorgo, milheto, cana, polpa de laranja ou concentrado de torta de soja e algodão proporcionam uma alimentação econômica. É uma opção ética e ecologicamente correta.
Passada a fase de acabamento, o animal vai para o abate sem nenhum contato com o rebanho extensivo.
A disseminação da doença não se dá de animal para animal. Na verdade, um animal só é acometido se ingerir o príon existente num lote ou porção de ração (de origem animal, caso da farinha de osso) contaminada.
Outro fator de redução de riscos é que o boi de confinamento é abatido em frigorífico inspecionado, o que minimiza a possibilidade de carnes contaminadas entrarem no mercado.
Por esta razão, o ex-ministro e pecuarista de gado de corte acha que toda divulgação em torno da possibilidade da existência da doença no Brasil tem finalidade comercial e visa a prejudicar as exportações brasileiras.
Vieira admite que essas informações já prejudicam as exportações brasileiras. Lembra que o consumidor europeu é exigente e disciplinado e acaba acatando as atitudes de seus dirigentes. A decisão da UE de exigir mais rigor no tratamento sanitário do gado dos seus fornecedores sugere que suas carnes não são as únicas sob suspeitas. Mas isto não tem cabimento, segundo o ex-ministro.
Para ele, o rastreameto é bom e tem que prosseguir. Ao que se sabe, na Europa não há diagnóstico preventivo. Esse rastreamento que o governo faz mostra que o Brasil - que tem um rebanho saudável e rústico - também se preocupa com o gado que vem de fora.
Mas volto a dizer: os riscos, se existem, têm como alvo apenas os animais importados. O gado brasileiro, criado a pasto, é saudável, afirma.


