Para jogar no celular
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sexta-feira, 01 de abril de 2016
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
Em fevereiro deste ano, mais um título da franquia de Assassins Creed foi lançado para iOS. Assassins Creed Identity, desenvolvido pela Blue Byte, um estúdio da Ubisoft, é um RPG de ação em que os jogadores podem viver vários tipos de assassinos e completar missões em cenários históricos da Itália no período do Renascimento. O jogo conta com belos cenários como o Coliseu, em Roma, e a Basílica de Santa Cruz, em Florença, e o personagem é capaz de interagir com essas construções escalando a Basílica até chegar ao seu topo, por exemplo, usando o sistema de tap-to-move (toque para mover) do smartphone ou tablet.
Ao completar as missões, o assassino encontra ainda personagens históricos pelo caminho, como Leonardo da Vinci, que precisa ser escoltado para o encontro com um amigo, já que ladrões ameaçam a segurança do inventor nas ruas de Firenze. O jogo possui ainda entradas de informações sobre personagens e locais importantes presentes na história e a possibilidade de o jogador fazer a compra de itens e customizar o seu personagem.
Com gráficos em 3D e jogabilidade aprimorados, Assassins Creed Identity é mais uma prova da aposta das grandes produtoras nos dispositivos móveis. Com smartphones de capacidade gráfica cada vez maior, já é possível levar os games para celular a outro nível. "A qualidade dos jogos de celular subiu muito. Hoje já se encontra jogos em 3D de luta, futebol como app para celular", opina Raul Sales, coordenador acadêmico da Saga, escola de desenvolvimento de jogos de São Paulo.
"Existem estudos que mostram que games apps crescem em uma curva muito mais consistente e vigorosa que o console", continua. A vantagem do game app, na visão do coordenador, é o valor mais em conta e o fato de poder ser jogado nos dispositivos móveis, aparelho hoje muito mais popular que um console de videogame, cujo valor pode chegar a R$ 4 mil.
Claro que a complexidade dos jogos de smartphone e tablet não será a mesma, devido às características próprias dos aparelhos, mas quem é gamer não se importa com isso, diz Sales. Quem é jogador de console também joga no celular, e a "rivalidade" acontece mais em relação ao gênero do jogo do que à plataforma. "A separação no universo dos games não está direcionada ao tipo de plataforma. Se é primeira pessoa, social ou shooter, aí sim existe essa separação."
Nostalgia
Nem Cleidson Lima, idealizador do Museu do Videogame Itinerante, que preserva a memória de jogos e consoles do passado através de uma mostra itinerante, é contra o fato de games antigos migrarem para os dispositivos móveis. Para ele, essa é uma maneira de resgatar a história desses jogos, esquecidos pela maioria dos gamers de hoje. "Tenho uma visão que o mobile é um dos responsáveis, senão o grande responsável, pelo resgate e o respeito dos games retrô." Ele conta que é comum visitantes do museu relatarem jogar games antigos, como River Raid, criado para o Atari, no smartphone ou celular como uma forma de relembrarem da infância. "Não é todo mundo que tem a condição de comprar um console retrô", explica Lima, já que esses aparelhos se tornaram peças de colecionador. "Hoje o mercado de games, por causa do celular, se tornou uma potência maior do que era antes. As pessoas jogam mais no mobile que no console. Não precisa ter briga de plataformas. Para quem é gamer, a plataforma é indiferente", finaliza.


