Como manda a tradição em algumas famílias, as irmãs Aparecida e Rosa dos Anjos Venâncio aprenderam o ofício de bordar com a mãe. Desde crianças, elas já manuseavam as agulhas e arriscavam os primeiros pontos. Hoje, descobriram que o bordado é mais que uma fonte de renda, é uma profissão. Rosa e Aparecida bordam para confecçõese também encomendas particulares, incluindo pedraria, ponto cruz, ponto cheio, entre outros usados em roupas de festas, bolsas, enxoval, tolhas etc.
Há seis anos, quando retornaram de São Paulo e sem trabalho, as irmãs decidiram formar um grupo de bordadeiras. Elas ensinaram o ofício para cerca de 30 donas de casa que passaram a bordar para uma fábrica de roupas infantis e também para uma griffe londrinense. Só para a fábrica, elas bordaram duas coleções, totalizando 30 mil peças (2001/2002). Hoje, o grupo de bordadeiras diminuiu para 10 pessoas em razão da ''crise''. ''As fábricas diminuíram as vendas e, com isso, diminuiu nosso trabalho, mas sobrevivemos'', argumenta Rosa.
Bordadeira de mão cheia, Rosa reconheceu um de seus bordados numa roupa de Hebe Camargo pela televisão. ''Era um conjunto muito bonito, que bordei para uma loja de São paulo. A roupa havia sido comprada na França. Ficou linda, bem diferente e reconhecemos na TV quando a Hebe apareceu com a roupa. Foi numa época em que fizemos vários bordados para lojas de São Paulo'', conta orgulhosa Rosa, brincando que, se soubesse, teria cobrado mais caro.
Atualmente, ela está bordando um blazer jeans com lã e pedraria para uma das diretoras da Revista Vogue em São Paulo. ''Foram três meses de trabalho e estou cobrando R$ 150'', contou Rosa, que acha que a profissão de bordadeira é pouco valorizada. ''Acho que merecia uns R$ 300 por esse trabalho, mas as pessoas não pagam'', complementou. Nesta época do ano, Rosa conta que há procura mas a demanda já foi maior. ''Nunca ficamos sem trabalho mas não é aquela loucura. Hoje, a concorrência é grande e muita gente cobra barato para ganhar o mercado''. (V.B.)

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