"Uma medida para inglês ver". É dessa forma que o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, define a ação do Ministério da Agricultura (Mapa) para tentar regular os valores de comercialização do milho - que com a saca de 60 quilos sendo vendida acima de R$ 50 tem aumentado substancialmente os custos de produção do setor.
Nesta semana, o Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), vinculado à Câmara de Gestão de Comércio Exterior (Camex), aprovou a isenção do imposto de importação da commodity, que tem alíquota de 8%. Entretanto, a medida vale apenas para uma cota de até 1 milhão de toneladas ou pelo prazo de seis meses. Vale dizer que o Paraná é o maior produtor e exportador de carne de frango do País, com 1,68 bilhão de cabeças abatidas e 1,48 milhão de toneladas comercializadas com outros Países. Os números são fechados de 2015.
De acordo com o secretário de Política Agrícola do Mapa, André Nassar, a resolução do Gecex atende à demanda dos criadores de aves, suínos e produtores de leite, que reclamavam dos preços altos do produto no mercado. "A importação do grão, que serve de base para a alimentação animal, terá impacto positivo na cotação do milho no mercado interno". O governo ainda bate na tecla de que a medida não prejudica os produtores brasileiros que plantam e vendem milho. "Como a isenção do imposto valerá entre maio e outubro, a comercialização não causará prejuízo aos agricultores do milho safrinha", complementa Nassar.

Eficácia
Entretanto, o presidente do Sindiavipar, Domingos Martins, relata que essa isenção não tem eficácia na prática para os avicultores e indústrias integradoras paranaenses. Isso porque os estados do Sul geralmente compram milho dos países do Mercosul – principalmente a Argentina –, com importação já livre de impostos. A medida do Gecex, portanto, estimulará a compra do grão produzido em países como os Estados Unidos. "Para os produtores do Norte e Nordeste, que importam milho dos Estados Unidos, a medida talvez ajude. Essa ação não nos apoia em nada. Quem tratou dessa medida ou é muito malandro ou não entende nada do setor", critica Martins.
De fato, o representante da entidade acredita que o ideal para aliviar os custos do segmento seria a suspensão do PIS/Cofins. Aliás, a ministra do Mapa, Kátia Abreu, tentou a medida com a Receita Federal, mas não obteve sucesso. "Mais do que o valor caro pelo produto, muitas empresas não estão encontrando o milho para repassar aos integrados. O grão responde por 65% da parte física da ração e os custos de produção aumentaram significativamente. Além disso, as indústrias não estão conseguindo repassar o aumento para o mercado interno".
A reportagem da FOLHA também entrou em contato com o presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS), Jacir José Dariva, já que o milho também tem peso grande para a alimentação dos suínos, mas ele não atendeu as ligações. A Federação dos Agricultores do Estado do Paraná (Faep) também foi procurada para repercutir a medida, mas estava em recesso devido ao feriado de Tiradentes, comemorado na última quinta-feira.

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