Para indústrias, medida é absurda
Guto Rocha e
Carmem Murara
As duas maiores empresas prejudicadas com a medida paulista seriam a Dixie Toga (Londrina) e a Neoplástica do Brasil (Quatro Barras). As outras duas são a Augros (Maringá) e a Incoplast (Marialva).
O diretor-presidente da Dixie Toga, Walter classificou como absurda a medida que o governador Mário Covas pretende tomar contra as indústrias de plástico instaladas no Paraná. Não vejo sentido, comentou, observando que a empresa está tentando uma audiência com o governador Mário Covas. Queremos deixar claro que não temos nada a ver com isso, disse.
Segundo Schalka, 70% da produção da unidade da Dixie, a Itap-Bimes Ltda., em Londrina é destinada para São Paulo. Mas a empresa ainda não tem um levantamento que qual seria o prejuízo caso a medida entre em vigor.
Schalka afirmou que a indústria obteve do governo do Paraná a dilação do prazo de pagamento do ICMS por 48 meses através do programa Paraná Mais Emprego. No entanto, ele observou que passado este período, a empresa terá de recolher o imposto com juros e correção monetária. A indústria ainda tem três anos de dilação. Schalka observou que em São Paulo muitas indústrias se beneficiam com o não pagamento do ICMS. Estas indústrias deixam de recolher, e depois pagam o imposto devido de forma parcelada, comentou.
O diretor da Dixie afirmou ainda que os seus clientes paulistas não serão prejudicados. Estamos estudando uma forma para nosso clientes não tenham prejuízo, afirmou.
Para o diretor administrativo da Incoplast Embalagens Ltda., de Marialva, Melquior Schalickmann a medida irá vingar. Nosso departamento jurídico já analisou o caso e ficou claro que a medida foi elaborada sem base legal nenhuma, afirmou.
A Neoplástica do Brasil vende entre 40% e 50% de seu estoque no Estado vizinho. Por enquanto, os produtos vendidos são importados da matriz que fica na cidade portuguesa de Santo Tirso. A Neoplástica só começa a produzir no início de março. O diretor industrial, Abílio César Heiss, avaliou ontem que a batalha fiscal deflagrada por São Paulo contra o Paraná irá sobrar para a iniciativa privada. É mais uma batalha nesta guerra e seremos prejudicados, disse. A empresa ganhou a dilação de quatro anos para o recolhimento do ICMS. Nos instalamos aqui por causa da infra-estrutura e localização, afirmou Heiss.
Já a indústria Augros avalia que não será afetada pelo decreto do governador paulista. Nós trabalhamos essencialmente com exportação, afirmou o diretor comercial Carlos Jorge. Os negócios com empresas paulista não chegam a 10%.
De origem francesa, a Augros investiu R$ 7,4 milhões em sua fábrica, em Maringá, para produzir acessórios plásticos, frascos e tampas para cosméticos. A empresa exporta para Argentina, Colômbia e Venezuela, entre outros países latino-americanos.





