Para Henrique Meirelles, Brasil sai da recessão no 1º trimestre
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quinta-feira, 02 de fevereiro de 2017
Mariana Carneiro<br>Folhapress 
São Paulo O Brasil deverá sair da recessão no primeiro trimestre deste ano, prevê o ministro Henrique Meirelles (Fazenda). "Nossa expectativa é que [a economia] sai da recessão, o que significa que cresce a uma taxa moderada no primeiro trimestre, mas já entra numa trajetória de crescimento durante o ano", disse. Ao fim do ano, o ministro manteve a previsão de que o ritmo de crescimento chegará a 2% frente ao quarto trimestre de 2016.
"Estamos tomando medidas para tirar o país da pior recessão de sua história, e isso já está acontecendo. Diversos setores já voltaram a crescer em dezembro." Ele citou o setor automotivo, de transporte pesado, e também mencionou que o fluxo de veículos de carga nas estradas aumentou no fim do ano, assim como o de papelão usado em embalagens.
"Eram antecedentes indicando que a produção industrial havia crescido e ela cresceu, o que significa que o país já está em processo de retomada." Segundo ele, o governo espera um crescimento moderado no primeiro trimestre. "O Brasil já no começo do ano entrará numa rota de crescimento sustentado e sustentável", disse, referindo-se ao padrão "voo de galinha" do crescimento brasileiro.
Inflação
Meirelles também afirmou que a meta de inflação dos próximos anos será definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em junho e que o governo espera a proposta que deve ser feita pelo Banco Central. Na última terça-feira, o presidente da autoridade monetária, Ilan Goldfajn, havia comentado que a tendência no longo prazo é o Brasil caminhar para uma meta mais parecida com outros países emergentes, em torno de 3%.
"Essa questão da nova meta já está dando controvérsia e eu prefiro não falar muito nisso. Uma pessoa só falando já gerou muito mal entendido, imagina duas", afirmou o ministro, ao chegar para um evento do Credit Suisse, em São Paulo. Mesmo assim, ele ressaltou não haver dúvidas de que a tendência da inflação no Brasil num prazo maior é de queda. "O BC está fazendo um bom trabalho e problemas como a expansão fiscal, a segurança jurídica, estão sendo endereçados. A tendência de longo prazo é de queda do juro estrutural e também da inflação."
Meirelles esclareceu que o novo conjunto de ações microeconômicas no qual o governo trabalha visa, entre outros objetivos, a reduzir a burocracia das empresas, bem como o tempo gasto por elas na gestão de compromissos tributários. Meirelles disse que um dos projetos pretende encurtar para três dias o prazo para abertura de empresas em São Paulo, que hoje leva, na média, 101 dias.
Em outra iniciativa, o governo quer que o tempo consumido nas empresas para pagamento de impostos seja de apenas um quarto das atuais 2,6 mil horas de trabalho por ano.
Meirelles informou que o governo conta com a assessoria e a "experiência internacional" de técnicos do Banco Mundial na elaboração das medidas microeconômicas, que, junto com as reformas estruturais no campo macroeconômico, terão impacto importante na redução do Custo Brasil. (Com Agência Estado)


