O governo prevê que, no último trimestre deste ano, o PIB (Produto Interno Bruto, conjunto das riquezas produzidas no país) brasileiro deve apresentar um crescimento de 4% a 5% em relação ao trimestre anterior.
A expectativa, segundo o secretário de Política Econômica, Amaury Bier, é que, no primeiro trimestre de 1999, haja uma retração ‘‘forte’’ do PIB. De maio a junho, o PIB continuaria a cair, mas em menor grau. Neste ano, a estimativa do governo é que a queda do PIB fique entre 3,5% e 4%. A economia voltará a crescer, segundo ele, no início do segundo semestre. Mesmo assim, será insuficiente para reverter a queda no ano.
O reaquecimento, de acordo com Bier, se dará em resposta a ‘‘um conjunto de fatores ligados às políticas monetária e fiscal’’. Para o secretário, o comportamento do câmbio e da taxa de juros no mercado futuro na manhã de ontem já poderia ser interpretado como um primeiro sinal de que a confiança na economia brasileira está se restabelecendo. Ele ressaltou, porém, que uma melhor análise poderá ser feita dentro de semanas.
Pela manhã, o dólar chegou a ser cotado a R$ 1,90. As taxas projetadas para contratos de Depósito Interbancário em maio caíram de 44,31%, no fechamento de ontem, para 42,46%.
A recuperação da economia, no entanto, só poderá se fazer sentir com maior clareza, segundo Bier, em ‘‘dois ou três meses’’. O secretário afirmou que a estimativa de um superávit de US$ 11 bilhões na balança comercial contida no memorando de política econômica acertado com o Fundo Monetário Internacional está ‘‘sujeita a erros’’.
O memorando previu que neste ano as exportações chegarão a US$ 56,5 bilhões, o que representaria um aumento de 10,52% em relação aos 51,12 bilhões vendidos ao exterior em 1998.
Para as importações, a expectativa é uma queda de 20,93%, com as compras no exterior passando de US$ 57,55 bilhões para US$ 45,5 bilhões. ‘‘É possível que esses ganhos se materializem mais para frente’’, disse Bier. Ele afirmou que o governo não adotará nenhuma nova medida para estimular as exportações ou restringir as importações.
Hoje, o País estará recebendo a primeira parcela de US$ 1,010 bilhão em financiamento do Banco Mundial. O contrato do empréstimo foi assinado ontem em Brasília pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o representante do banco no Brasil, Gobind Nankani.
Do total repassado, US$ 757 milhões serão usados para reforçar as reservas cambiais e US$ 252 milhões servirão para evitar cortes excessivos dos recursos do Tesouro Nacional aplicados nas áreas de educação, saúde e assistência social.Arquivo FolhaSinais positivosO secretário Amaury Bier: câmbio e juros já indicam volta da confiançaAgência Folha

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