Brasília - O chefe da missão técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI), Phil Gerson, foi um dos poucos ontem a mostrar tranquilidade diante do estresse vivido pelos mercados financeiros. Em meio ao nervosismo provocado pela divulgação de dados que fortaleceram a percepção de que os juros nos Estados Unidos deverão subir em junho, Gerson negou a existência de uma crise e sugeriu à equipe econômica do governo brasileiro manter o rumo das políticas e ignorar o movimento dos últimos dias.
''Não é uma crise, é volatilidade, e volatilidade é algo normal'', afirmou Gerson, logo após reunião com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, onde foi concluída a segunda revisão do acordo entre o Brasil e o Fundo. ''Temos de aceitar que de vez em quando há turbulências no mercado, mas vamos voltar ao ambiente estável. Temos de ter paciência'', afirmou.
Ao longo da semana, Gerson deu diversas declarações deixando claro que o FMI não encarava a volatilidade vivida pelo mercado como o prenúncio de uma crise. Ontem não foi diferente. Ele insistiu que o Brasil deve manter o rumo das políticas macroeconômicas adotadas até agora. ''Essa volatilidade é temporária e vai passar. A melhor resposta das políticas é ignorá-la'', afirmou. ''Achamos que as coisas vão bem no Brasil e o melhor conselho é seguir fazendo as coisas que o governo está fazendo para reduzir as vulnerabilidades'', completou.
Para Gerson, o estresse de curto prazo será dissipado e o governo, ao manter suas políticas, seguirá no caminho do crescimento sustentado. ''O Brasil está progredindo e vai seguir progredindo. Vai crescer mais e seguir reduzindo as vulnerabilidades'', avaliou. Gerson disse ainda que a economia brasileira está dando sinais claros de que irá crescer em 2004, a despeito do nervosismo recente do mercado.
Como já era esperado, a missão do FMI irá recomendar à diretoria da instituição a aprovação da revisão do acordo brasileiro. Em meados de junho, os diretores do Fundo deverão se reunir para avaliar o documento. A aprovação garantirá ao Brasil o direito de sacar cerca de US$ 1,3 bilhão.
O secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, já garantiu que o dinheiro não será sacado. Gerson defende a posição do secretário. ''Não achamos que seja necessário o saque'', afirmou.

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