O meio de transporte de muitos londrinenses mudou nas últimas duas semanas. Com o aumento dos preços dos combustíveis, já há quem esteja deixando o carro na garagem e indo ao trabalho de bicicleta, de ônibus e até a pé. Alguns também adotaram o sistema de rodízio, revezando o uso do carro com amigos para dividir a conta do posto.
Nesta semana, o operador industrial José Marcos dos Santos voltou a ir de bicicleta à fábrica onde trabalha, na zona oeste, a sete quilômetros de sua casa, no Parque Ouro Verde. A bicicleta havia sido abandonada por ele há um ano, desde que comprou um automóvel. ‘‘Mas com o aumento do preço do álcool ficou puxado andar de carro. Eu gasto três litros de combustível por dia. Com a bicicleta vou conseguir economizar R$ 70 por mês’’.
Há 15 dias, a terapeuta ocupacional Ilka Maria Ramos Elorza começou a ir de ônibus ao trabalho, na Casa de Saúde de Rolândia. ‘‘Pago R$ 2 de passagens por dia, economizando seis litros de gasolina. Isso significa uma diferença de R$ 150 no final do mês. Embora o ônibus demore uma hora, compensa’’. Ilka recomenda aos motoristas que sigam seu exemplo. ‘‘Este aumento dos combustíveis é abusivo. As pessoas têm que encontrar outras alternativas para forçar a queda dos preços’’.
O tapeceiro Valdemir dos Santos também recorreu ao ônibus, contrariado com o preço alto da gasolina. Ele calcula uma economia de R$ 80 por mês. ‘‘Com o dinheiro dá para fazer a manutenção do carro, usado apenas para passeio’’.
Todas as atividades diárias do advogado Roberto Moriosho Nidahara, como a ida ao Fórum e a bancos, são feitas de bicicleta. Além da economia, ele diz que o veículo contribui para a melhora da saúde. ‘‘Nunca tomei um remédio’’.
O advogado não teme nem as adversidades do tempo. ‘‘Basta usar capa e guarda-chuva’’, afirma, com ‘prática’ de mais de 30 anos. Diariamente, ele pedala quatro quilômetros para ir à biblioteca da UEL. Mas Nidahara recomenda cuidado às pessoas que aderirem à onda das ‘‘bikes’’ para trafegar em ruas movimentadas. ‘‘O ideal é ter freios de pé e de mão. E atenção’’.
O motorista da prefeitura, Mair Radis, não abandonou a mania de andar a pé ou de bicicleta nem mesmo depois de comprar seu carro, há cerca de sete meses. ‘‘Também, com o dinheiro que ganho, não dá para ir trabalhar motorizado’’. Em Londrina, o litro da gasolina está custando até R$ 1,67 e, o do álcool, R$ 1,07.

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