A alta no preço do boi gordo da ordem de 13% este mês, segundo a Secretaria da Agricultura, não deve persistir para os próximos dois meses. Isso porque o momento é de pico da entressafra e a tendência da curva é declinar com a oferta maior de animais para o abate. A avaliação é do diretor do Sindicarnes Péricles Salazar que argumentou que os frigoríficos estão com estoques de no mínimo 10 dias para enfrentar esse período de alta. Ontem no Paraná o boi gordo estava sendo cotado entre R$ 26,50 e R$ 27,00 a arroba.
Ele acredita na reversão da tendência altista, apesar de admitir que 90% do gado confinado, preparado especialmente para ser desovado durante a entressafra, já foi abatido. Já o técnico da Secretaria da Agricultura Adelio Borges acredita que a tendência do boi é de alta nos próximos dias. Ele argumenta que das 90 mil cabeças confinadas esse ano, restam cerca de 36 mil e os produtores tendem a segurar esses animais se as condições de tempo se estabilizarem.
Segundo Borges o criador vai desovar seu estoque à medida que precisa de dinheiro e por enquanto tem sido favorecido pelas condições climáticas. Ele vai exercer seu poder de negociação e jogar com as condições climáticas, afirmou o técnico. As chuvas da última semana impediram a retirada dos animais das propriedades o que em parte contribuiu para a alta no preço do boi, admite Salazar.
Péricles Salazar questiona o fato de o mercado varejista não acompanhar as oscilações de preço do boi gordo. Dificilmente o setor varejista abaixa os preços quando o período é de queda acentuada nos preços do boi, para não sacrificarem suas margens de lucro. Ele direcionou sua crítica principalmente aos açougues.

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