‘‘O crescimento da economia e das necessidades do Estado do Paraná o transformam numa terra prometida para as grandes empresas francesas como também para as médias e pequenas, sobretudo no setor de serviços’’, disse ontem em Paris o presidente da Câmara de Comércio e Indústria parisiense, Hubert Flahault.
Flahault recebeu o governador do Paraná, Jaime Lerner, e o ministro da Indústria, Comércio e Turismo, Francisco Dornelles, que viajaram à França atrás de investimentos franceses. No encontro, com participação da comitiva brasileira e de empresários franceses, foram analisadas as perspectivas oferecidas pelo Paraná e pelo Brasil aos investimentos estrangeiros.
Flahault reconheceu o atrativo da ‘‘terra prometida’’, dizendo aos visitantes que ‘‘as rígidas regras e a falta de crédito dificultam o acesso das médias e pequenas empresas ao mercado brasileiro. O presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Paris - que reúne mais de 277.000 empresas da região parisiense - homenageou o dinamismo do Estado do Paraná.
‘‘Hoje nossas vistas se voltam para o Paraná: este Estado do sul do Brasil ocupa um dos primeiros lugares da economia brasileira graças à personalidade de seu governador que, arquiteto e urbanista, impôs seu estilo em Curitiba, cidade modelo do Brasil, cujo prestígio pela qualidade de vida atravessa amplamente as fronteiras. As paisagens do Paraná - continuou Flahault - se transformaram: o verde escuro dos cafezais, cultivo então dominante, foi substituído pelas cores do algodão, do milho e do trigo, que representa um quarto da produção nacional de cereais’’.
Depois de dizer que as indústrias brasileiras e em especial a do Estado vizinho de São Paulo têm migrado para o Paraná, lembrou que a Renault também escolheu recentemente o Paraná para instalar sua primeira fábrica no Brasil.
Destacou que, ainda que a presença francesa no Brasil tenha se firmado há pouco tempo na energia elétrica com a EDF, nas telecomunicações com a France-Telecom e Matra, na infra-estrutura ferroviária com a GEC-Alsthom e no saneamento de águas com a Compagnie Generale des Eaux, ‘‘a França ocupa o quinto lugar entre os investidores’’, esperando o aumento da cooperação entre os dois países.
O governador Jaime Lerner mostrou as vantagens oferecidas pelo Paraná, para investimentos, a 180 empresários franceses, na maioria dirigentes de pequenas e médias empresas. Ele já havia falado, sexta-feira passada, para 100 empresários da cidade de Lyon. O governador reafirmou aos empresários da região de Paris que o Norte do Paraná tem condições de sustentar o parque industrial automobilístico de São Paulo e Curitiba no setor de autopeças. Numa cadeira de rodas e desenhando, Lerner mostrou aos franceses a localização privilegiada do Mercosul e a proximidade com os grandes centros consumidores do Brasil.
Já o ministro da indústria, Francisco Dornelles, enfatizou a vitalidade da economia brasileira. Dornelles disse aos empresários franceses algumas das previsões econômicas para o Brasil em 1997: inflação de 6%, reservas internacionais de 70 bilhões de dólares, investimentos estrangeiros diretos de 16 bilhões de dólares, produção agropecuária equivalente a 7% do produto interno bruto (PIB), crescimento industrial de 5%.

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