Para Fraga, herança deixada para Lula ``é positiva``
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terça-feira, 29 de outubro de 2002
Agência Estado 
Brasília A herança a ser deixada por este governo para o próximo presidente ``é positiva``, na avaliação do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, à Comissão Mista de Orçamento. Ele acredita que, se não tivessem sido realizados os ajustes nas áreas cambial, fiscal, bancário, inflacionário e financeiro, o quadro econômico seria muito pior, ``seria um verdadeiro caos econômico``. Para ele, não há razão para esperar problemas na administração da dívida pública, se o País continuar sendo administrado de forma responsável. ``E é esse o compromisso do presidente eleito, que aliás, já está tendo uma repercussão positiva no mercado``, afirmou.
Fraga diz que compromisso de Lula com dívida pública já repercute positivamente
Ele ressaltou ser importante observar a trajetória realizada até agora para ``administrar bem essa coisa daqui para frente``. Lembrou as inúmeras crises que o Brasil enfrentou nos últimos dois anos. ``Foi uma inacreditável sequência de problemas``, disse. Ressaltou, porém, que, apesar de tudo, a taxa média de crescimento em 2001 e 2002 será de 1,5% ao ano. ``Em um ambiente mais normal, acredito que a taxa de crescimento será capaz de surpreender positivamente.``
Sobre a decisão do governo de elevar juros, contrastando com a de outros países, como os Estados Unidos, que reduzem juros nos momentos de crise, explicou que países que não têm problemas de crédito aliviam os momentos de crise tomando crédito interno. ``No Brasil, ainda não chegamos lá``, disse e defendeu a necessidade de ``galgar crédito soberano para poder usar em momentos de crise``.
Fraga acredita numa ``apreciação bastante grande`` do câmbio, depois que o Brasil ultrapassar a atual crise de confiança. Isso ajudará, diz, a reverter a tendência de alta das expectativas de inflação e, desta forma, facilitar o cumprimento das metas de inflação.
Ele também comentou que não há nenhum problema em relação ao Fundo Monetário Internacional (FMI) quanto ao cumprimento das metas de inflação. ``Eu só queria lembrar que as metas de inflação não são critério de desempenho no acordo com o FMI e não impedem, portanto, a liberação de recursos``, afirmou, lembrando ainda que já foi obtida uma certa folga em relação às metas de inflação.


