Brasília O presidente do Banco Central Armínio Fraga afirmou, durante a cerimônia de transmissão de cargo, que o Brasil já superou a crise enfrentada no ano passado em função da perda de confiança dos investidores estrangeiros na economia do país. ''É possível vislumbrar a superação da crise de confiança'', disse.
Fraga atribuiu a solução da instabilidade econômica ao superávit primário obtido no último ano do governo Fernando Henrique Cardoso de quase 5% do PIB (Produto Interno Bruto), ao controle da inflação, ao início da reforma previdenciária, à resolução da crise bancária de 1998 e à adoção do câmbio flutuante em 1999.
Ele disse ainda que as reformas promovidas no campo macroeconômico foram acompanhadas por ganhos de produtividade e melhorias de indicadores sociais nas áreas de saúde, educação e reforma agrária. ''Foi possível, com isso, administrar choques internos e externos sem acidentes e com custos sociais limitados'', afirmou.
Fraga atribuiu parte da perda de confiança em 2002 à idéia de que a vitória de um candidato de oposição significaria a ruptura do atual modelo econômico. ''Parecia que caminhávamos em direção ao precipício'', lembrou. Fraga contou que, nas missões que fez ao exterior e nas conversas com bancos estrangeiros, repetia sempre que seu sucessor prosseguiria com uma política responsável. ''Eu estava certo'', concluiu.
Armínio Fraga afirmou que será preciso ''sangue frio e perseverança' à nova equipe econômica para enfrentar os testes que surgirão a todo momento na condução da economia do País. Segundo ele, o novo governo, ao reafirmar os compromisso de respeito a contratos e de condução da economia com regras claras, já começa a obter bons resultados.
''A equipe do presidente (Luiz Inácio) Lula (da Silva) corre na direção certa com toda convicção'', disse. Ele ressaltou, no entanto, que é preciso avançar mais nas reformas e na manutenção do ajuste fiscal.
Fraga disse que o BC está preparado para zelar pela estabilidade e eficiência do sistema financeiro. Ele afirmou ainda que o convite feito a Meirelles foi um sinal de que o novo governo busca experiência e competência.

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