Basiléia A estratégia adotada pelo governo de percorrer o mundo e tentar explicar a situação do País começa a dar sinais de que pode funcionar e acalmar os mercados. Ontem, em reunião na Basiléia, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e os representantes dos dez maiores bancos centrais do mundo (G-10) chegaram à conclusão de que as linhas de crédito ao Brasil começam a se recuperar.
Durante parte do mês de agosto, a turbulência financeira vivida pelo País fez com que as linhas de crédito dos bancos estrangeiros fossem cortadas em cerca de 25%.
''Após o encontro em Nova York há duas semanas (entre o Brasil e 16 bancos privados), houve uma estabilização das linhas de crédito. Agora vemos sinais de que os bancos estão respondendo e de que há um moderado crescimento das linhas, que deve continuar assim'', afirmou o presidente do Banco Central britânico, Sir Edward George, porta-voz do G-10.
Segundo o britânico, as conversas entre as autoridades brasileiras e os banqueiros internacionais estão produzindo sinais positivos. ''Isso está baseado no fato de que não só o candidato do governo à Presidência (José Serra, do PSDB), como os dois principais candidatos de oposição (Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e Ciro Gomes, do PPS) entenderam e aceitaram que precisam seguir políticas de acordo com o que está no pacote com o Fundo Monetário Internacional (FMI)'', afirmou Sir George.
Ele ainda acrescentou que, apesar dos problemas que o Brasil enfrenta, existe um superávit primário e a balança comercial está tendo um bom desempenho. ''A economia como um todo tem expectativa de crescer'', afirma.
Fraga considera a pequena recuperação das linhas de crédito como uma ''excelente notícia''. Sem especificar a quantia, o presidente do BC afirmou que parte das linhas que eram oferecidas por bancos e que foram perdidas estão sendo substituídas pelas próprias empresas.
''As linhas de crédito vieram mais cedo que eu esperava. As expectativas estão se concretizando, mas as linhas (de crédito) estão voltando ainda dentro do clima internacional de cautela e ainda de muita dúvida'', explica Fraga, lembrando que o sistema internacional ainda passa por um período difícil.

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