Agência Estado
O presidente do Banco Central, Arminio Fraga, afirmou ontem, durante entrevista coletiva, que o BC está atento ao comportamento da inflação e que os aumentos de preços verificados no mês de junho deverão ficar circunscritos a este mês, sem impacto no médio prazo. ‘‘Nós vamos olhar o efeito líquido disso e calibrar a política monetária a partir da풒, afirmou Fraga, lembrando que a inflação é objetivo básico da política econômica.
Segundo ele, esses aumentos de preços são ‘‘elementos que nós vamos levar em consideração, mas não há nada que indique que a trajetória da inflação esteja sendo revertida’’, disse. O presidente do BC afirmou estar animado com a adoção de uma política de metas inflacionárias que, segundo ele, é a melhor para o Brasil atualmente. De acordo com Fraga, nas próximas semanas o ministro da Fazenda, Pedro Malan, deverá anunciar o índice de inflação a ser adotado e, no final do mês, Malan irá dizer qual a meta de inflação para o País ‘‘provavelmente até o ano 2001’’.
Em relação à perspectiva de elevação das taxas de juros nos EUA, Fraga disse que o mercado brasileiro já foi afetado por essa situação. Segundo Fraga, no mundo globalizado os fatores externos às vezes ajudam e às vezes atrapalham a economia e, por isso, têm que ser levados em conta pelo governo, com acompanhamento diário, para ver seu impacto na inflação. Fraga afirmou, no entanto, que não haverá mudanças na política de taxas de juros no Brasil.
O presidente do BC confirmou que na próxima semana chegará ao Brasil uma missão do Fundo Monetário Internacional para discutir as metas do segundo semestre. Ele ainda acrescentou que o governo não vai rever as regras da CC-5. Armínio Fraga concedeu entrevista coletiva na sede da Embaixada do Brasil em Londres, depois de participar de um seminário sobre política monetária realizado pelo Banco da Inglaterra.

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