O Fórum Popular contra a Privatização da Copel aguarda um relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para entrar com novas ações questionando as parcerias entre a Copel e empresas privadas. Para o coordenador do Fórum, ex-deputado Nelton Friedrich, os indícios de favorecimento a grupos ligados à diretoria atual da estatal caracterizam crime de improbidade administrativa.
Friedrich espantou-se com a nota oficial divulgada pelo governo, que afirma que as parcerias foram vantajosas para a Copel. ''Além de desvirtuar as atividades da própria empresa, muitos argumentos são verdadeiros absurdos econômicos. As multas sobre a rescisão de contrato dessas parcerias acabam depreciando a própria empresa, mesmo que o leilão de venda da Copel não ocorra'', analisa.
Para Friedrich, as atividades do Fórum não vão se resumir às tentativas de cancelar a privatização da companhia. ''Queremos que a Copel continue sendo estatal, mas também queremos que a companhia seja um modelo de excelência.
A gestão atual da Copel está sendo temerária'' afirmou o coordenador do Fórum.
Na avaliação de Friedrich, o governo não está sendo apenas omisso em relação ao caso das parcerias da Copel. ''Ao permitir que o valor da companhia se deprecie, o governo está sendo co-autor de atos que lesam o patrimônio público. O poder público deveria tomar providências internas para corrigir os rumos que a empresa está tomando'', acredita.

Em Londrina, o presidente da Câmara de Vereadores, Tercílio Turini (PSDB), defende a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembléia Legislativa para apurar as parcerias feitas pela Copel. ''É preciso apurar todas essas ligações de ex-diretores e de seus parentes com as parceiras da Copel. Pelo que entendi, a grande maioria das pessoas e a própria Assembléia desconheciam esses negócios''.
Ele se disse surpreso com as revelações feitas pela reportagem publicada pela Folha de Londrina/Folha do Paraná no último domingo. ''Considero o material publicado suficiente para o pedido da instalação de uma CPI'', afirma. Surpresa também ficou a vereadora Elza Correia (PMDB), para quem o governo deve explicações à população. Exigir que os pontos levantados pela reportagem da Folha sejam devidamente esclarecidos, na opinião da vereadora, deve integrar a pauta de discussão do fórum formado para lutar contra a venda da estatal.
''Por mais que saibamos que todo o processo está encoberto por uma nuvem de fumaça, sempre nos surpreendemos com as descobertas. Essas irregularidades são muito graves'', comenta. Elza Correia defende ainda que as pessoas que tinham conhecimento das parcerias e o que cada uma delas significa sejam responsabilizadas.

O secretário da Fazenda, Paulo Bernardo, considera que a ''Copel é um bem da comunidade do Paraná num setor estratégico para o desenvolvimento do Estado e, se as parcerias que a empresa fechou nos últimos anos afetam ou causam prejuízo para o patrimônio estadual, devem ser revistas''. Ele acrescenta que as parcerias são bem vindas desde que sejam benéficas para todas as partes envolvidas. ''Revendo parceiros prejudiciais, a empresa restabelece sua credibilidade'', disse. (Rodrigo Sais e Benê Bianchi, de Curitiba e Londrina)

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