Rio de Janeiro O diretor-assistente do Departamento de Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), Lorenzo Perez, afirmou que a escalada da inflação no Brasil não assusta a instituição. ''Achamos que é bolha cambial'', disse, ao explicar por que o FMI não está preocupado com o tema no Brasil. Ele considerou ainda que uma boa política a ser efetuada pelo governo poderia conduzir a inflação a níveis menos elevados. As declarações foram dadas após reunião com o presidente do Banco Central (BC) Armínio Fraga, ontem de manhã.
A missão do FMI, que esteve no Rio de Janeiro especialmente para se encontrar com Fraga, é liderada por Jorge Marquez-Ruarte, que classificou como ''muito boa, muito produtiva'' a reunião com o presidente do BC. Ele não quis fazer maiores comentários sobre os temas que foram discutidos no encontro. ''Não posso dizer nada agora'', afirmou, ao ser questionado sobre o assunto. Marquez-Ruarte informou ainda que terá uma reunião com a equipe de transição do futuro governo, na semana que vem.
A missão está no Brasil desde segunda-feira para realizar a primeira revisão trimestral do acordo de US$ 30 bilhões firmado entre o País e o Fundo em setembro. Perez, ao contrário de Marquez-Ruarte, citou os tópicos das reunião com Fraga. Segundo ele, os temas do encontro foram basicamente sobre as políticas fiscal, monetária e cambial do Brasil. Porém, Perez não comentou sobre mudança em meta de superávit primário para o Brasil. ''Sobre isso, vocês saberão melhor em nosso memorando de política econômica'', disse, citando o documento a ser elaborado pelo Fundo após o término da visita da missão ao Brasil.

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