Para FMI, déficit ameaça Plano Real
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de setembro de 1997
Agência Estado Hong Kong 
O crescente déficit nas contas externas do Brasil ainda traz sérios riscos à economia do País, afirmam os técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI). Na avaliação do Fundo, o governo precisa promover um maior aperto nas contas públicas para permitir a redução dos juros. Só assim conseguirá equilibrar a política econômica sem afastar os investidores externos. O alerta do FMI será formalizado esta semana, na divulgação do tradicional cenário para a economia mundial preparado pelos técnicos da instituição.
Mas não é só o Brasil que preocupa o FMI. O futuro dos investimentos externos para os chamados países emergentes é uma das principais discussões da Reunião Anual do FMI e do Banco Mundial, que começa em Hong Kong esta semana. Criticado por não ter prevenido o mercado financeiro a respeito da delicada situação financeira da Tailândia, o FMI agora procura enfatizar o perigo dos déficits nas contas externas - como o do Brasil - e a necessidade de reformas para evitar a continuidade dos desequilíbrios nas economias de países em desenvolvimento. Os analistas do FMI são otimistas, porém, e mantém para esses países a previsão de crescimento anual de 6,5% em 1997 e 1998.
Os analistas do FMI não vêem perigo de interrupção nos investimentos estrangeiros dirigidos aos países em desenvolvimento, que chegaram a um recorde em 1996 e, na avaliação dos técnicos, continuam a mostrar força no primeiro semestre de 1997. Para o FMI, a América Latina não foi afetada pela crise asiática porque, após o colapso da economia mexicana, em 1994, os países da região aumentaram o controle sobre suas economias.
Os economistas do FMI advertem, porém, que o grande volume de investimentos externos para os mercados emergentes pode provocar um aquecimento exagerado da economia, aumentando excessivamente o chamado déficit nas transações com o exterior - o chamado déficit em conta corrente.


