Argentina sairá de sua atual crise, e embora o Brasil esteja dando sinais de contágio, pode superar a tempestade graças aos seus fortes fundamentos econômicos, disse ontem o diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Horst Koehler. Koehler afirmou que Argentina deve defender seu sistema monetário de livre conversibilidade e assinalou que o diálogo entre Buenos Aires e o FMI em torno destes assuntos ‘‘é excelente’’.
‘‘Creio que é correto manter o sistema de conversibilidade e a junta monetária’’, disse Koehler numa coletiva, na véspera dos trabalhos das reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial. O chefe do FMI anunciou que se reunirá hoje em Washington com o ministro argentino da economia, Domingo Cavallo, para examinar a marcha de seu plano para tirar o país de uma recessão que já dura quase três anos.
‘‘Há certa preocupação’’ com a situação na Argentina, ‘‘mas achamos que se têm tomado medidas para conseguir uma recuperação’’, assinalou. Koehler observou que Cavallo tem razão em centrar seu programa na melhora da competitividade da economia argentina, e negou versões sobre desentendimentos com Buenos Aires, assegurando que ‘‘a qualidade do diálogo entre o FMI e o governo argentino é excelente’’.
O diretor-gerente do FMI admitiu, por outro lado, que ‘‘há alguns sinais’’ de contágio da crise argentina no Brasil, mas se declarou confiante de que serão contidos. ‘‘Brasil tem fundamentos econômicos fortes, um Banco Central bem administrado e um compromisso firme do governo e do ministro da fazenda, Pedro Malan, de manter o rumo de solidez fiscal, e por isso não tenho dúvidas de que o Brasil pode superar a tormenta. Há tensão, mas não há necessidade de cair em pânico’’, disse Koehler.
Corte públicoAlta fonte do Banco Mundial (Bird), citada pelo site do jornal Ambito Financiero de Buenos Aires, ontem à noite, informou que o acordo que a Argentina negocia com o Fundo Monetário Internacional (FMI) está baseado em um programa de fortes cortes dos gastos públicos, para manter a atual meta de déficit fiscal de US$ 6,5 milhões este ano. ‘‘Será um programa muito duro’’, disse a fonte, garantindo que o acordo sairá no sábado ou no domingo, na reunião conjunta do FMI e do Bird, em Washington.

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