A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) reviu de 6% para 8% a projeção da inflação acumulada nos próximos doze meses por conta do ritmo mais acelerado de desvalorização do real. Inicialmente, o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), Heron do Carmo, projetava que a desvalorização do câmbio girasse em torno de 25%.
Agora, calcula que variação deverá ficar em 30%. Nas suas contas, ele considera que a cotação da moeda norte-americana deverá acomodar-se em R$ 1,65, acompanhando a inflação de 65%, acumulada pelo IPC da Fipe entre julho de 1994 e dezembro de 1998. ‘‘O mais provável é que, alcançado os píncaros da glória, a cotação do dólar recue.’’ Na terceira quadrissemana de janeiro o IPC da Fipe fechou em 0,31%, 0,04 ponto percentual acima da segunda prévia do mês. O resultado foi impulsionado especialmente pelos transportes, que ficaram 2,10% mais caros, pela alimentação, que subiu 0,59%, além da alta de 0,77% nos gastos com educação. Segundo Heron, a maior parte do índice (0,27%) é explicado pelo aumento dos preços dos transportes, influenciado pela alta da tarifa de ônibus e dos combustíveis.
O reflexo da desvalorização da moeda no IPC da terceira quadrissemana de janeiro ainda é pequeno e restrito aos itens ligados à cotação do dólar. ‘‘Os dez dias de desvalorização da moeda estão se refletindo nos preços, mas não há nada de escandaloso ou que dê sinais de desestabilização’’, diz Heron, ressaltando que o lado real da economia é mais ponderado do que o financeiro. É que a conjuntura de vendas fracas, renda contida do consumidor, incerteza com relação ao emprego estão brecando os reajustes.
O preço da carne bovina, por exemplo, que havia subido 1,41% na segunda prévia do mês, variou 1,45% na terceira quadrissemana de janeiro. Os produtos panificados, que dependem da farinha de trigo importada, também ficaram 0,52% mais caros na última quadrissemana, ante um recuo de 0,22% na segunda quadrissemana. O preço da farinha de trigo, por sua vez, subiu 1,76% na terceira prévia de janeiro, seguido pela alta 3,60% do frango, 5,60% da laranja, e de 13,01% da maçã importada.
Os aparelhos de imagem e som, que usam componentes importados, reverteram a tendência de queda por causa da desvalorização. Na segunda quadrissemana, os televisores ficaram 0,44% mais caros, os aparelhos de vídeo subiram 1,38% e as máquinas fotográficas tiveram alta de 0,75%.
Para janeiro, Heron mantém a projeção inflação de 0,5% e de 7% para o ano. No mês que vem, ele calcula que o IPC deverá ser ainda menor do que o de janeiro e encerrar o mês em 0,2%.

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