Para Fipe, deflação pode indicar recessão
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quinta-feira, 18 de setembro de 1997
Agência Estado São Paulo 
Juros elevados, que já foram instrumento importante para derrubar a inflação, podem reduzir o nível de atividade econômica e levar o País a uma recessão, prevê o economista Heron do Carmo, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP (Fipe). O Produto Interno Bruto (PIB) este ano, segundo o economista, vai crescer menos do que os 3% previstos pelo governo. Para Heron do Carmo, as autoridades econômicas só vão perceber o estrago da política monetária no nível de atividade econômica no início de 1998, quando será divulgada a variação oficial do PIB. Estou muito preocupado com o nível ao qual estão chegando as taxas de juros reais, afirma.
Essa é a primeira vez que Heron do Carmo fala em recessão, depois que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) passou a registrar deflação. A política monetária com juros altos, explica o economista, ajudou a reduzir a inflação. Mas agora, está servindo para atrair investimento estrangeiro, principal arma contra possíveis ataques especulativos, a maior preocupação do governo neste momento.
Para desvalorizar o câmbio de forma gradual, o governo, segundo Heron do Carmo, terá de manter os juros elevados. Os juros têm de ser maiores do que nos outros países, compensar a desvalorização cambial e pagar os riscos do mercado, explica. Para isso, precisam continuar elevadíssimos, conclui.
Por enquanto, diz Heron do Carmo, os investimentos diretos continuam em expansão, mas a política monetária deve inverter essa tendência. Ele disse que está preocupado com os resultados das pesquisas de emprego que mostram que as empresas estão criando vagas com salários menores. Para evitar que o País caminhe para uma recessão, recomenda Heron do Carmo, o governo tem de desvalorizar menos o câmbio e reduzir os juros.


