Para Financial Times, mundo precisa do Brasil
O jornal Financial Times defendeu ontem, em editorial, a necessidade de os pacotes de ajuda ao Brasil, tanto interno quanto externo, serem fortes o suficiente para o país sair ileso da crise internacional. O mundo precisa que o Brasil saia bem-sucedido, diz o FT. Segundo o jornal, espera-se que as medidas a serem anunciadas pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, esta semana, restaurem a credibilidade do país, extinguindo a ameaça de contagiar financeiramente os países vizinhos.
A comunidade internacional, por sua vez, deve estar comprometida o suficiente para estancar a crise global, diz o editorial. O país está preso numa conhecida armadilha: pressão na cotação da moeda forçando a alta dos juros; altos juros elevando a níveis insustentáveis o déficit fiscal; o déficit ameaçando a estabilidade econômica; e a essa ameaça minando a credibilidade da cotação da moeda. Segundo o FT, a reeleição de Fernando Henrique é a oportunidade de que esse ciclo vicioso se transforme num ciclo virtuoso.
O governo brasileiro, por meio da embaixada em Washington, tentou conter ontem uma nova onda de especulação sobre a possibilidade de desvalorização do real, levantada pelo jornal Wall Street Journal, referência da comunidade financeira dos Estados Unidos. Na edição da última sexta-feira, o jornal aponta a mudança na política cambial brasileira como alternativa para restabelecer a confiança do mercado na economia do país. O título da reportagem, que recebeu chamada na primeira página do jornal, dizia que o Brasil agonizava. Segundo o jornal, a desvalorização das moedas pode ser desconfortável para os mercados emergentes, como Brasil, mas as alternativas a essa medida são piores ou inexistentes.
O jornal afirma que a negociação com o FMI é difícil e, portanto, não seria suficiente para conter a crise de confiança que abala a economia brasileira. Em carta ao jornal, o embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima descartou a desvalorização do real e a criação de controles sobre a saída de capitais do país. A carta alega que a política cambial já teria recebido o aval do Fundo.





