Para Financial Times, Brasil está entre a cruz e a espada
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sexta-feira, 25 de setembro de 1998
Agência Folha 
O Financial Times dedicou ontem quatro páginas ao Brasil. Nas matérias, o diário britânico faz uma análise da situação financeira do país pós-crise asiática e afirma que o governo brasileiro está agora entre a cruz e a espada: ou garante uma desaceleração econômica controlada enquanto combate o problema fiscal, ou deixa o País entrar em recessão. O jornal afirma que o Plano Real foi impressionantemente bem-sucedido em vários aspectos, mas alerta que a grande ameaça à economia brasileira agora é o problema do déficit fiscal, que tende a ser agravado com a desaceleração da economia.
Uma redução muito forte da atividade econômica pode levar a um declínio radical das receitas tributárias, minando os planos fiscais e induzindo mais fugas de capital, argumenta o Financial Times. Em outro artigo, o jornal afirma que as implicações da quebra da economia brasileira para o sistema financeiro internacional seriam tão graves que é certo que haverá um esforço internacional para salvar o País. A pergunta para a qual os líderes internacionais e brasileiros ainda não sabem a resposta é se o País não é muito grande para ser salvo, caso ele chegue a um momento decisivo, diz o jornal.
O diário também destaca que, apesar das quedas na bolsa brasileira este ano, os investimentos estrangeiros têm jorrado no País. Até então, tem havido poucos sinais de que isso (o investimento estrangeiro) esteja desacelerando, diz o jornal. O Financial Times, afirma que a liberalização do mercado nacional e o aumento dos investimentos estrangeiros no País tem forçado uma modernização das indústrias nacionais.
O diário destacou, ainda, que a estrutura do mercado de capitais do País melhorou nos últimos anos. Segundo o jornal, uma das razões que contribuem para a volatilidade da Bolsa do Brasil é o fato de o seu movimento diário - entre US$ 600 milhões e US$ 700 milhões - ser relativamente alto se comparado com outras economias emergentes.
Com isso, o Brasil, segundo o jornal, acaba oferecendo a saída mais fácil para investidores que estejam querendo compensar perdas financeiras em outros lugares do mundo.
Wall Street O governo dos EUA e agências de investimentos norte-americanas estariam desenvolvendo um plano para levantar financiamento externo e auxiliar o Brasil e outros mercados latinos, informou ontem o Wall Street Journal . O jornal é o mais prestigioso no meio econômico dos EUA.
Segundo o diário, a proposta seria permitir a emissão de novos títulos de países latino-americanos no mercado internacional. A garantia dos títulos seria dada pelo Banco Mundial e pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).
Esse lastro, de duas associações sólidas, daria credibilidade aos títulos e atrairia a atenção dos investidores, que estão deixando os investimentos no mercado latino para buscar segurança nos títulos de tesouro americano.


