Para Fiesp, queda na produção impede aumento de salário
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sexta-feira, 15 de agosto de 2003
Das Agências 
São Paulo O diretor do Departamento de Integração Sindical da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Pedro Evangelinos, afirmou ontem que o volume de produção não é suficiente para permitir e poder negociar índices de aumento salarial para os trabalhadores. ''Não que não se queira, é que não se pode'', afirmou ele, após receber de sindicalistas da Central Única dos Trabalhadores (CUT) um documento que marca o início da campanha de reposição salarial neste segundo semestre. Evangelinos, porém, ressaltou que não é a Fiesp quem negocia com os trabalhadores. ''A Fiesp apenas acolhe o documento e o encaminha para os sindicatos patronais'', disse.
O diretor da entidade ressaltou que o momento atual vivido pelas indústrias do País é ''extremamente grave e delicado.'' O nível de atividade econômica está, segundo ele, no menor índice dos últimos anos. A preocupação neste momento das indústrias, de acordo com Evangelinos, é a manutenção do emprego.
Questionado se a concessão de aumento salarial para os trabalhadores não era um caminho para a elevação de consumo, Evangelinos explicou que a queda do poder aquisitivo é efeito e não causa. ''A causa dessa queda de renda é que desde o início do Plano Real até março deste ano a inflação acumulada foi de 156%, enquanto os preços administrados subiram em média 320%'', finalizou.
Para o presidente da CUT, Luiz Marinho, apesar do momento adverso registrado no País, sempre é possível negociar se as partes tiverem o mínimo de responsabilidade. ''O Brasil passa por um período complicado, mas também é verdade que você não negocia na campanha salarial só o momento. Você negocia olhando o ano que passou e o que virá'', disse. Marinho afirmou que o futuro indica em sua avaliação que a economia aponta para um processo de retomada do crescimento. ''E é com esse olhar que nós queremos discutir'', observou.


