Para Fiesp, juro alto por longo tempo será mortal
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sexta-feira, 31 de outubro de 1997
Agência Estado São Paulo 
Empresas de primeira linha que vinham pagando taxas de juros entre 20% e 30% ao ano deverão ter seus custos financeiros elevados para entre 40% e 50%, os mais altos dos mundo, segundo calculam alguns empresários. Será mortal para a indústria, caso esse aperto na política de juros seja mantido por muito tempo, acreditam.
As importações serão estimuladas e o País perde competitividade diante dos concorrentes estrangeiros até em seu mercado, afirmou o diretor do Departamento de Economia da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp-Ciesp), Bóris Tabacoff.
Os efeitos da medida, considerada amarga mas acertada e inevitável pela maioria dos empresários, só deverão ser sentidos a médio prazo, caso o governo não consiga revertê-la rapidamente. A elevação das taxas de juros tem por objetivo sanear uma crise externa, mas o diretor da Fiesp lembra que atinge o lado real da economia doméstica, que é o setor produtivo, que não precisava de remédio nenhum. Tabacof não acredita que seja intenção do governo provocar deliberadamente recessão na economia. O saco de maldades a que o presidente do Banco Central, Gustavo Franco, se referiu não inclui recessão e isso nos leva a acreditar que as autoridades monetárias irão rever as taxas de juros tão logo isso seja possível.


