O presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), José Carlos Gomes Carvalho, avaliou ontem que o País ‘‘mergulhou na recessão’’, no momento em que se prepara para sair da estagnação da economia que atinge a economia há quase um ano. Carvalho procurou dar um tom animador diante do anúncio do pacote econômico, mas aconselhou os empresários a apertar o cinto. ‘‘A ordem é economia de guerra. Não podemos gastar um centavo a mais do que temos’’, afirmou. Ele acredita que tanto o Paraná quanto o Rio Grande do Sul sofrerão menos com o impacto das medidas econômicas, pois os dois Estados têm assegurado um determinado volume de investimentos industriais.
O que não será possível segurar é a estagnação da economia, avaliou Carvalho. A previsão é que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha crescimento perto de zero ao final do ano. Até a semana passada, o governo federal estimava fechar 1998 com um crescimento de 1,5%, sendo 0,5% relativo ao segundo semestre. O crescimento negativo da economia pode ser notado em vários países como Japão (-3,7%), Coréia (-3,8%), Rússia (-1,6%) e Brasil (-1,1), nos últimos 12 meses.
Na avaliação do presidente da Fiep, o governo falhou ao não impor barreiras que dificultem as importações. ‘‘Países como Estados Unidos e Japão têm uma série de salvaguardas às importações, enquanto nós não colocamos restrições aos produtos que entram aqui’’, afirmou. Ele citou como exemplo de salvaguarda as exportações de frango e calçados para os Estados Unidos, que têm que se adequar a determinadas leis norte-americanas. Carvalho acredita que é possível dificultar a entrada de mercadorias no Brasil, sem ferir as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).
A simplificação do processo de exportação com a criação do ‘‘Simplex’’, que reduz de 26 para cinco os documentos exigidos para exportar, foi comemorada pelos pequenos empresários. O diretor superintendente do Sebrae, Hélio Cadore, disse que a médio prazo as pequenas e médias empresas vão responder ao estímulo do governo federal. ‘‘O que nos preocupa é que o juro alto pode anular um pouco as medidas de estímulo às exportações’’, afirmou Cadore.
Hoje, do total exportado no Brasil, apenas 3% são das pequenas empresas, enquanto em países desenvolvidos como os Estados Unidos as pequenas empresas respondem por 40% das exportações. O País exportará neste ano US$ 50 bilhões. A meta é aumentar a venda para US$ 100 bilhão até o final do ano 2002.

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