Curitiba O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures, disse que o pacote cambial anunciado ontem pelo Governo Federal não representa avanço significativo. ''Houve uma melhoria na desburocratização do processo, uma simplificação na operação de câmbio, mas as medidas, na verdade, devem trazer pouco efeito prático para a economia'', avaliou Rocha Loures.
A principal medida anunciada pelo ministro da Fazenda Guido Mantega foi a flexibilização da cobertura cambial, a exigência de internalizar recursos obtidos com as exportações, que existe há mais de 50 anos, permitindo ao exportador reter parte dos dólares fora do País.
Os recursos mantidos no exterior ficarão isentos de cobrança de CPMF. ''Como a CPMF é um imposto que não incide sobre geração de renda, mas apenas sobre movimentação financeira, o que se pretende com a medida é reduzir um pouco o custo tributário dos produtos exportados. Trata-se de uma pequena ajuda para o setor que realiza negócios no mercado externo, porém não altera a situação geral da economia'', disse. Segundo ele, a conjunção de altas taxas de juros, tributação elevada e valorização da moeda vem consistentemente desestimulando os investimentos e a produção do país.
Para Rocha Loures, o impacto do pacote cambial na cotação da moeda brasileira será muito pequeno. Ele acredita que poucos serão os empresários que irão optar por manter dólares no exterior, já que as aplicações financeiras são mais vantajosas no Brasil, por conta das elevadas taxas de juros.

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