O presidente Fernando Henrique Cardoso considerou exagerada a reação do mercado financeiro à crise política interna. Na avaliação do presidente é compreensível que haja algum nervosismo, mas o movimento que elevou a cotação do dólar a níveis recordes desde o início do Plano Real é especulativo. ‘‘Isso é especulação de mercado, não nos preocupa além da especulação’’, afirmou o presidente durante entrevista coletiva após café da manhã com o presidente da Argentina Fernando de La Rúa.
O presidente considera que a situação econômica argentina não é de aflição, pois o país tem garantido financiamento de sua dívida externa esse ano, um fator que deveria servir para tranquilizar os investidores. Quanto à crise política interna, Fernando Henrique classificou-a de ‘‘um fato político que acontece de vez em quando’’ e que não terá repercussão sobre a economia brasileira no longo prazo.
Na avaliação do presidente Fernando Henrique Cardoso, o governo tem os instrumentos necessários para enfrentar a turbulência e manter o rumo da política econômica, que é o controle da inflação. Entre esses meios, está a atuação do Banco Central (BC) que, de acordo com o presidente, ‘‘vai usar os instrumento que tem quando achar oportuno’’.
De La RúaO presidente argentino, Fernando de la Rúa, disse ontem, em entrevista à rede portenha de televisão TN, que ‘‘não haverá desvalorização (do peso) nem dolarização da economia’’ e criticou o antecessor Carlos Menem, que aconselhou os compatriotas a comprar dólares ‘‘o mais rápido possível’’. Em declarações para a TV TN em Quebec, onde participa da 3ª Cúpula das Américas , De la Rúa garantiu que ‘‘não haverá desvalorização nem dolarização’’ e fez votos pela manutenção da ‘‘responsabilidade’’, em momentos de crescente nervosismo dos mercados. Ele considerou ‘‘impróprias’’ as declarações do ex-presidente (1989-99).

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