Para FHC, a moratória argentina era inevitável
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2001
Agência Estado 
Campo Grande O presidente Fernando Henrique Cardoso manifestou ontem compreensão diante da decretação da moratória da dívida externa pelo novo governo argentino, afirmando que não haveria opção para o país vizinho. Segundo o presidente, ''na verdade, a moratória não foi uma decisão, mas uma impossibilidade de o país pagar sua dívidas''. Fernando Henrique também admitiu que, se receber um convite do presidente interino Adolfo Rodrigues Saá, poderá ir à Argentina em janeiro.
Antes de embarcar na base aérea de Campo Grande (MS) rumo a Brasília, depois de passar quatro dias descansando em um hotel ecológico, o presidente negou ter manifestado no sábado, ao desembarcar na capital do Mato Grosso do Sul, sua esperança de que a política cambial argentina mudasse. ''Eu disse que o presidente interino havia me dito que era possível mudar a política cambial'', esclareceu. ''Mas isso é um assunto também da Argentina. Eles ainda estão organizando um novo programa'', frisou.
Fernando Henrique havia conversado na sexta-feira com o presidente do senado Ramón Puerta, que assumiu por 48 horas a presidência argentina. No dia seguinte, sugeriu que a Argentina poderia adotar o câmbio flutuante, como ocorre no Brasil. ''E agora, quem sabe, se a Argentina tomar uma posição com respeito ao câmbio mais próxima da adotada aqui e nos outros países, talvez possamos sonhar com uma moeda comum'', afirmou na base aérea.
Ontem, ele estava cauteloso ao comentar as medidas econômicas adotadas pela Argentina no último domingo. Segundo ele, a moratória decretada foi uma decisão interna. ''Assim como nós nunca permitimos que opinassem sobre nossa política cambial, não cabe a mim opinar'', disse. Fernando Henrique disse que ainda não conversou com o presidente interino. ''Mandei uma carta, mas não telefonei porque é época de Natal.''
Fernando Henrique reafirmou que pretende ir à Argentina tão logo seja possível. ''Nós (os presidentes dos países do Mercosul) decidimos que, assim que o governo argentino considerar possível receber o Brasil e os demais presidentes do Mercosul, faremos uma reunião em Buenos Aires'', afirmou. ''Com todas as dificuldades, nossa economia não parou de crescer. Isso é fundamental para os países emergentes, entre os quais a Argentina'', resaltou.


