Para FGV, perfil da dívida das empresas melhorou
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quinta-feira, 16 de agosto de 2001
Agência Estado<BR>Do Rio 
As empresas brasileiras estão melhorando o perfil de suas dívidas. Levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas com as 500 maiores empresas de capital aberto demonstra que o grau de endividamento dobrou desde 1994, quando foi lançado o Plano Real.
Naquele ano, para cada R$ 1 de patrimônio líquido, as empresas tinham, em média, R$ 0,56 de dívida. O fechamento dos balanços de 2000 demonstrou que a proporção é de R$ 1,08 de endividamento para cada R$ 1 de patrimônio.
Mas, longe de ser considerado um dado negativo, o fato de os débitos superarem o valor do patrimônio é visto como o começo da inserção das empresas nacionais no mercado globalizado. ''No mundo inteiro as empresas crescem com recursos de terceiros. É a chamada alavancagem'', explica o economista Salomão Quadros, coordenador da pesquisa ''500 Maiores'', da FGV.
Para ele, o nível baixo de endividamento de uma década atrás era causado por fatores como fechamento do mercado interno e dificuldades de obtenção de crédito no exterior. ''O uso prioritário de capital próprio, que já foi considerado uma virtude, na verdade era uma deformação em um ambiente hostil'', diz . De 1999 para 2000, o endividamento de curto prazo teve uma queda de 9% entre as empresas, segundo constatou a pesquisa. Ainda há predominância das dívidas de curto prazo, mas as empresas com mais capacidade de endividamento, que respondem pelo maior volume de recursos captados, estão conseguindo alongar prazos.
Segungo Quadros, as empresas norte-americanas têm um índice de alavancagem quatro vezes maior do que as brasileiras. O grau de endividamento médio em 2000 ficou no mesmo patamar do de 99, mas a grande mudança foi com relação à estrutura da dívida.
Em 1999, o grau de endividamento aumentou em relação ao ano anterior devido principalmente à desvalorização cambial que elevou o montante das dívidas em dólar.


