Para Fazenda, juros devem seguir altos
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quarta-feira, 21 de maio de 2003
Lu Aiko Otta<br> Agência Estado 
Brasília Além de o Comitê de Política Monetária (Copom) haver mantido a taxa de juros básica da economia em 26,5% ao ano, o governo avisou ontem que ela deverá permanecer alta por mais algum tempo. ''Não se espera uma queda abrupta na taxa de juros básica'', diz o Boletim de Acompanhamento Macroeconômico, elaborado pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda.
O texto enumera as seguintes razões para o juro continuar alto: a desaceleração das taxas de inflação ocorre em ritmo lento, nada garante que o dólar continuará na casa dos R$ 3,00 e há um ''longo trajeto'' até a aprovação das reformas pelo Congresso.
Os dados reunidos pelo boletim mostram um contexto em que a economia real se enfraquece: a produção industrial caiu em comparação com o final do ano passado, os investimentos estão em compasso de espera e o poder aquisitivo do trabalhador encolheu. ''A queda no rendimento acabou por restringir o consumo, afetando principalmente a população de menor renda'', reconhece o documento.
Apesar do quadro negativo em boa parte da economia, os técnicos avaliam que há ''uma alta probabilidade de crescimento moderado em 2003''. A projeção do Banco Central é de uma expansão de 2,2% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2003. O boletim aponta os setores exportador e agrícola como os propulsores da economia neste ano.
Na avaliação da SPE, os índices de preços ao consumidor estão caindo num ritmo mais lento do que o esperado. Uma das razões para esse comportamento é o preço dos alimentos, que continuou elevado. Três fatores deram fôlego à remarcação dos preços: houve aumento do número de empregos (embora mais da metade tenha sido no mercado informal) e, por isso, aumento na massa salarial; algumas categorias trabalhistas conseguiram reajustes na casa dos 10%; e a Caixa continuou pagando os atrasados do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
O texto do boletim afirma ainda que os preços dos alimentos estão num nível elevado para o primeiro quadrimestre do ano, ''mesmo quando comparados, por exemplo, aos verificados no início de 1999, quando da mudança do regime cambial''.


