Para ex-presidentes, não há alternativa
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sábado, 29 de maio de 1999
Carmem Murara 
Os ex-presidentes da Copel Francisco Gomyde e Paulo Procopiak de Aguiar - hoje executivos de empresas privadas do setor de energia - são unânimes ao defender a privatização do sistema energético do País. Os dois apóiam a venda da Copel para a iniciativa privada, alegando que se isso não ocorrer a empresa perderá terreno para quem deixou de ser estatal. O momento da privatização é muito forte e as empresas não têm alternativa. Se não privatizarem ficarão sem ter como competir, avalia Aguiar.
Presidente da Copel, entre os anos de 1981 e 83 no segundo governo Ney Braga, Aguiar disse que, ao olhar a Copel, sempre alimentava a utopia de que uma estatal poderia dar certo. Nós tínhamos e temos um exemplo de empresa, que é uma das mais rentáveis do sistema. Então, eu me perguntava: por que não mantê-la com o Estado?, diz Aguiar. No início da década de 80 o assunto privatização ainda era pouco debatido.
Mas aos poucos ele se convenceu que é muito difícil manter uma estatal longe dos olhos de políticos, que vêem na empresa um instrumento de promoção e de cabide de emprego. Aguiar faz questão de ressaltar que a Copel conseguiu se manter à margem das influências políticas.
Arquivo FolhaVenda necessáriaGomyde: Empresas privadas têm mais agilidade para investirPresidente da empresa Itá Energética S.A, com sede em São Paulo, o ex-presidente da Copel alerta o governo para a necessidade de saber o exato momento da venda. Escolher o momento certo de privatizar vai representar uma diferença considerável no preço final obtido. Não pode ser a qualquer hora, diz Aguiar, ao avaliar que o governo do Estado tem um fôlego de um ou dois anos para vender a Copel.
O ex-presidente da Copel durante 1986 até 93, Francisco Gomyde, também alerta para o período certo da venda. Ele vai mais além e revela que a Excelsa - companhia privada do Espírito Santo, que ele preside desde 95 - poderá ser uma das interessadas em participar da compra da Copel. A Excelsa já comprou a Enersul empresa do Mato Grosso do Sul.
Gomyde também avalia que a perda de competitividade é o maior problema para as empresas que insistirem em se manter estatais. As empresas privadas têm mais agilidade para investir, enquanto as estatais foram engessadas pelo governo federal e acabarão ficando à margem da competição, diz Gomyde.


