Para evitar crise, governo quer que a população apague lâmpadas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 26 de março de 2001
Agência Estado De Brasília 
Apagar as luzes dos prédios públicos federais, estaduais e municipais durante a madrugada e persuadir a população a mudar a chave do chuveiro elétrico da estação inverno para verão e manter desligadas lâmpadas em dependências de apartamentos e casas que não estão sendo utilizadas. Estas são as principais medidas anunciadas pelo diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Mário Abdo, como forma de afastar os riscos do racionamento de eletricidade no País.
Por sua vez, as concessionárias do setor elétrico vão ampliar a geração de energia e será tentada a importação de 400 megawatts (MW) produzidos pela Usina Hidrelétrica Itaipu Binacional que fazem parte da cota do Paraguai. Abdo explicou que apenas a Usina Porto Primavera, no Estado de São Paulo, irá aumentar a produção de eletricidade em 340 MW. Ele informou que o plano de contingência a ser elaborado pelo governo ficará pronto na próxima semana.
Para receber as sugestões, Abdo reuniu-se ontem com 105 executivos do setor elétricos privado e público. Durante o encontro foram apresentados 23 blocos de sugestões que passarão pelo crivo dos técnicos da Aneel. Temos sugestões que vão do aumento de geração de Porto Primavera ao desligamento das luzes dos prédios públicos, disse. O setor público tem de dar o exemplo neste momento.
Na mesma frente de ação, as concessionárias irão fazer campanhas publicitárias que incentivam à população a consumir menos energia. O secretário de Energia do Ministério de Minas e Energia, Afonso Henriques Moreira Santos, afirmou que serão sorteados prêmios, como carros e aparelhos elétricos e eletrônicos, para quem gastar menos eletricidade.
Os recursos poderão vir da Reserva Global de Reversão (RGR), disse Moreira Santos. É possível também financiar a substituição de lâmpadas por produtos que sejam mais econômicos.
O conselheiro do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e consultor da Presidência do Grupo Rede, Fernando Quartim, disse que o quadro crítico de geração de energia deve-se exclusivamente à falta de investimentos no setor. Segundo ele, o governo deveria atrair empreendimentos para que pudesse permitir a produção de energia necessária para o abastecimento. Os investimentos somente virão com subsídios e tarifas, disse. Quartim afirmou que algumas das propostas são consideradas românticas já que não terão um efeito prático.


