Para especialistas, não é momento de aumentar
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terça-feira, 15 de abril de 2008
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A aposta do mercado é que os juros subam dos atuais 11,25% ao ano para 11,50% ou até 11,75%. Especialistas da área consultados pela FOLHA acreditam que não é momento de aumentar estas taxas no Brasil. Eles defendem que os juros já são muito altos no País e chegam a atingir quatro vezes a média mundial. O Brasil é o País que hoje possui os juros reais mais altos do mundo, seguido da Turquia.
O economista e coordenador do curso de Ciências Econômicas da Centro Universitário Franciscano do Paraná (Unifae), Gilmar Mendes Lourenço, disse que um aumento de juros poderia atrair capital especulativo para a economia brasileira, o que agravaria a valorização do real frente ao dólar e comprometeria as exportações.
Uma elevação de juros também aumentaria a dívida pública hoje em R$ 1,350 bilhões. A dívida interna ficaria mais cara porque o governo pagaria mais juros sobre ela. Lourenço defende ainda que hoje, juros elevados, representariam um perigo para a continuidade da recuperação do crescimento da economia brasileira.
Ele destacou que os juros estão caindo no mundo inteiro para conter a possibilidade de ocorrer uma recessão. ''O Brasil está na contramão do mundo. Enquanto o mundo está diminuindo a taxa de juros, o Brasil aumenta'', disse.
O economista ressaltou ainda que ''juro alto é remédio para inflação de demanda, que é provocada por muito consumo, o que não existe no Brasil. Ele explicou que a inflação de demanda é formada por três componentes: salários que crescem acima da produtividade da economia, déficit público e aumento real do crédito ao setor privado, que hoje representa 36% do PIB brasileiro.
''A inflação no Brasil é de custos vinculada ao crescimento da economia internacional, com expansão dos preços dos alimentos. Inflação de custos não deve ser tratada com taxa de juros elevada'', disse. Ele defende o contrário, a redução dos juros para aumentar a produção.
''O Banco Central estará tomando uma decisão equivocada caso resolva fazer alguma elevação de Selic'', afirmou o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira. De acordo com estudos da Anefac, a taxa média mensal de juros para pessoa física hoje é de 7,28%, o que representa 132,39% ao ano. Os valores mais caros são cobrados pelas financeiras (11,20% ao mês), seguido do cartão de crédito (10,37% ao mês) e do cheque especial (7,73% ao mês).


