SÃO PAULO - A hora de investir nos países do Mercosul é agora. Esse foi o recado que executivos de grandes multinacionais deram ontem aos participantes do encontro da Associação das Câmaras Americanas de Comércio da América Latina (AACCLA). O principal motivo é o potencial do mercado consumidor. Segundo estimativas da Whirpool, empresa que detém parte do capital da Multibrás e é uma das líderes mundiais em eletrodomésticos de linha branca, apenas no Brasil serão formados 650 mil lares por ano nos próximos anos.
‘‘Este potencial de mercado permite uma escala de produção que torna o custo de fabricação local competitivo com o resto do mundo’’, explicou o vice-presidente da Whirpool para a América Latina, Daniel Miller. A Whirpool é sócia da Brasmotor (Multibrás) desde 1958 e as marcas brasileiras (Brastemp e Consul) possuem 31% do mercado de linha branca no Brasil.
Luciano Respini, presidente das Empresas Dow, diz que existem na América Latina 500 milhões de pessoas e um PIB que equivale a um quinto do dos Estados Unidos. ‘‘O potencial de crescimento é muito elevado’’, disse ele. ‘‘E a hora de investir é agora, este é o momento de trazer o seu dinheiro para cᒒ, acrescentou, dirigindo-se para a platéia de empresários. Para Respini, a melhor forma de inserção no Mercosul é com ‘‘conteúdo local’’, ou seja, com parcerias ou com compra de negócios já em andamento. ‘‘A expansão dos negócios ocorre muito mais rapidamente por meio de um negócio já montado do que começando a partir do zero’’, disse, respondendo a uma pergunta da platéia.
O presidente da General Motors do Brasil, Mark Hogan, disse que a perspectiva de crescimento da América Latina nos próximos anos é muito superior a de outras regiões do mundo. A GM detém hoje 20% do mercado latinoamericano, em média, e estima aumentar essa participação apesar da chegada de novos concorrentes construindo fábricas na região. ‘‘Em 1998, apenas Brasil e Argentina já terão um mercado consumidor de 2 milhões de carros/ano’’, argumentou, observando que no início do século 21 a estimativa é alcançar 3 milhões de unidades/ano. ‘‘Os novos concorrentes estão vindo justamente porque sabem da força deste mercado’’, ponderou.
Para Miller, da Whirpool, o sucesso depende de ‘‘acertar e atender o gosto do cliente’’. Ele citou como exemplo a estratégia bem sucedida de reduzir o tamanho dos bens produzidos no Brasil, especialmente para atender o consumidor que estava chegando no mercado pela primeira vez.

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