O reajuste diferenciado das tarifas telefônicas autorizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) está preocupando os donos de empresas de telemarketing. Segundo o integrante da Câmara Setorial das Agências de Cobrança da Associação Comercial do Paraná (ACP), Moacir Cordeiro de Farias, proprietário da Exactus Cobranças S/C Ltdas, o impacto no custo final dos serviços prestados será de 2% a 3%.
‘‘Não poderemos repassar esse custo para nosso clientes porque isso acarretaria um efeito cascata, a única alternativa será cortar outros custos’’, diz Farias. No caso do Paraná, os reajustes ficarão entre 3% e 17%, dependendo do serviço telefônico. As empresas de cobrança utilizam o telefone para entrar em contato com 95% dos funcionários.
Para as empresas de telemarketing, as contas telefônicas representam cerca de 35% do total dos custos fixos. ‘‘Esse é o segundo maior gasto e só perde para a folha de pagamentos’’, explica o empresário. Ele lembra que desde o início do Plano Real, em junho de 1994, as tarifas telefônicas tiveram reajuste de mais de 100%. ‘‘Mesmo depois da privatização, os aumentos continuaram e no mesmo período os nossos funcionários não tiveram nenhum aumento salarial’’.
Em Curitiba existem mais de 100 empresas que atuam no setor de cobranças e recuperação de crédito por telefone. Essa empresas são contratadas por redes de lojas para fazer resgate de débitos atrasados. Elas entram em contato com os devedores em atraso, oferecem condições para o pagamento, como redução de juros e parcelamento dos débitos. ‘‘Nossos honorários são um percentual dos valores recuperados e não temos como cobrar índices diferenciados, apesar do aumento dos custos’’, lembra Farias. (Emerson Cervi)

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