A redução da taxa básica de juros da economia em 0,75 ponto percentual, definida anteontem pelo Banco Central (BC) ficou dentro da expectativa do mercado financeiro, porém dividiu a opinião de empresários e presidentes de entidades de classe. Se, para alguns, o corte na Selic pode dar ânimo para a retomada do crescimento econômico do País. Para outros, a medida foi insuficiente, conservadora e incapaz de tirar o país da ''depressão''.
A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que definiu pela taxa básica de 17,25% ao ano foi a mais longa do governo Lula. Diferente do mês passado, quando houve discordância entre os dirigentes do BC, na reunião de quarta-feira a decisão sobre o tamanho no corte da Selic foi unânime. Essa foi a quinta queda consecutiva dos juros, que começaram a cair em setembro de 2005. A taxa voltou ao mesmo patamar de novembro de 2004.
''Enxergo essa redução como positiva. Isso vai dar ânimo para o mercado. Quem tem recursos, nesse País, vai voltar a aplicar para não deixar o dinheiro parado'', opiniou o empresário londrinense Rodolfo Montosa, presidente do Consórcio União e da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcio (Abac). Ele admite que a queda da taxa não vai atingir o consumidor diretamente, mas, indiretamente, ele será beneficiado por ''uma economia que gira melhor e empresas que investem mais e que geram empregos''.
Já para o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon-Norte), Junker de Assis Grassiotto, reduzir a taxa básica em 0,75 não faz nenhuma diferença. ''Isso é discurso meramente financeiro. Precisamos é de uma política de retomada de crescimento da economia'', frisou Grassiotto. Para que isso aconteça, ele afirmou que o governo tem que trabalhar no sentido de reduzir impostos, a lucratividade dos bancos e até mesmo do próprio governo, e abrir mais linhas de crédito em volume suficiente para atender o empresariado.
Em nota divulgada à imprensa, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo Roucha Loures também afirmou que ''essas reduções lentas e homeopáticas da taxa básica de juros não são suficientes para alavancar o crescimento nacional e tirar o país de um estado de anorexia''. Na opinião dele, a decisão do Copom foi conservadora e expõe a necessidade de mudança do sistema de governança da política econômica brasileira.
O presidente da Associação Comercial do Paraná, Cláudio Slaviero, disse, através da assessoria de imprensa, que o Compom ''continua muito conservador, cauteloso demais e desestimulante aos setores produtivos do País''. Segundo ele, o corte da taxa deveria ter sido de, no mínimo, 1 ponto percentual.
Na opinião do economista Paulo Rogério Brene, a redução da taxa é orientada pelos indicadores de inflação. De acordo com ele, se a expectativa de redução da inflação permanecer, a tendência é que a taxa básica continue caindo. ''Daqui pra frente a taxa deve ser reduzida, mas de forma gradual e nada muito expressivo, como foi essa última'', apontou. Brena também acredita em futuras reduções, pois 2006 é um ano eleitoral e o presidente Lula ''não perderia a chance de tentar contentar parte do empresariado''.

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